Para
Afinal, técnicos ou tecnólogos não entram nessa
conta e o Censo da Educação Superior do Inep (Instituto Nacional de Estudos e
Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) indica que, no ano de referência, formaram-se
nas diversas especialidades da engenharia
47.098 profissionais. Parte da responsabilidade pela
meta está nas mãos da comissão formada pela Capes com o objetivo de propor ações
indutoras e estimular o desenvolvimento da pesquisa, da pós-graduação, da
produção científica e da inovação tecnológica nesta área do conhecimento.
Para Sandoval Carneiro Júnior, presidente da
comissão e diretor de relações internacionais da Capes, a taxa de formação de
engenheiros no Brasil é inferior à de outras nações. .Dos países do BRIC (Brasil,
Rússia, Índia e China), o Brasil é o que menos forma engenheiros. A Rússia
forma 190 mil por ano, a Índia 220 mil e a China 650 mil, diz ele com base em dados
de documento elaborado pela comissão e entregue ao ministro da Educação,
Fernando Haddad.
Mesmo com a recessão em 2009, setores como a construção
tiveram demanda além do esperado. Não só não houve desemprego de engenheiros
como os salários, em média, aumentaram 20%, afirma Marcos Maciel Formiga,
representante da CNI (Confederação Nacional da Indústria) e membro da comissão
da Capes.
Segundo Carneiro Júnior, um dos riscos imediatos
da falta de mão de obra qualificada é o de encarecimento do setor produtivo.Ele
acredita que as empresas passarão a buscar profissionais estrangeiros, a custos
elevados e com a exigência de adaptação do conhecimento técnico à realidade
local. Além disso, intensifica-se a dependência brasileira de inovação
tecnológica. .O Brasil entra numa fase de crescimento e precisamos sair do
modelo econômico baseado na exportação de materiais primários e commodities, cujo
valor agregado é pequeno., alerta Carneiro Júnior.
De acordo com ele, para mudar esse quadro, é
necessário contar com profissionais capazes de desenvolver inovação tecnológica.
No entanto, para Divonzir Arthur Gusso, pesquisador do IPEA (Instituto de
Pesquisa Econômica Aplicada), não há motivo para voltar os olhos apenas para a
engenharia. Se a economia começar a crescer muito, pode faltar mão de obra de
modo geral., acredita. Ele, que é um dos autores do artigo. Escassez de
engenheiros: realmente um risco?, publicado na edição nº 6 da publicação Radar,
do IPEA, afirma não ser o caso de investir na criação de novos cursos, mas de
corrigir os rumos da formação.
Combate à evasão
Carneiro Júnior é contundente ao afirmar que o
principal desvio é a evasão universitária, tendo sido o que motivou a Capes a
criar a comissão.
Segundo dados por ele apresentados, a evasão,
mesmo em IES (instituições de Ensino Superior) públicas chega a 60% e atinge
75% em entidades particulares. Vagas temos de sobra. Em 2007, 450 mil alunos se
inscreveram para 198 mil vagas de engenharia, mas dessas, apenas 115 mil foram
preenchidas. Sobraram 80 mil ociosas, diz.
A mesma opinião tem o professor Alexandre
Pacheco, coordenador da comissão de graduação da escola de engenharia da UFRGS (Universidade
Federal do Rio Grande do Sul) onde, afirma, apenas no curso de Engenharia
Civil, todos os anos são oferecidas 175 vagas, com ingresso de cerca de 150
alunos. Segundo ele, apenas em torno de 80 chegam a se formar.
O pessoal tem muita dificuldade nos primeiros dois anos, quando a evasão é pronunciada., declara Pacheco. Um dos motivos para a evasão seria o perfil estritamente acadêmico do ciclo básico a maior responsabilidade.Depois que entra na parte profissionalizante, o pessoal costuma engrenar, faz estágios e iniciação científica,acrescenta ele.
Autor/Fonte: JMN
Postado em 09/04/10, 09:17 | (1) Comentário(s)
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