
Rubião é um personagem do romance “Quincas Borba”, de Machado de Assis, que herda uma farta herança do filósofo Quincas Borba. Ele parte então rumo ao Rio de Janeiro, em busca das aventuras da vida encantada da corte. Lá, ele tem de lidar com a sociedade mundana, os jogos de salão e a esperteza, e no fim de sua vida, num típico enredo machadiano, termina pobre e perturbado.
São João tem o seu Rubião, que embora não tenha herdado nenhuma herança, “viajou o mundo”, acumulando experiência de vida e muitas histórias pra contar. Trata-se de Wilson Dias da Silva ou, como é mais popularmente conhecido, o “Seu Didi”.
O “Maluco Beleza da Cidade” nasceu em São João do Piauí no dia 03/03/1953, filho de Manoel José da Silva e Raimunda Dias. Casou-se em 1977 e logo após o casamento, carregando sonhos e esperanças na bagagem, partiu rumo a São Paulo, pra se tornar um cidadão do mundo. Na metrópole paulista, trabalhou na Sufugem, firma tradicional da época.
Já nessa época Seu Didi dava demonstrações de seu espírito irrequieto. Depois de 03 anos ele deixa a terra da garoa e vai morar no Rio de Janeiro, a cidade maravilhosa, onde foi contratado pela Vale do Rio Doce para trabalhar na Ilha de Vitória, no Espírito Santo. Mais tarde, voltando ao Rio, fica trabalhando no Cais do Porto como encarregado, função que lhe deu a oportunidade de viajar em navios, cortar o mar e ancorar em portos como o de Santos, Salvador, São Luiz, Belém, Vitória, dentre outros.
Nos fins de semana, como o Rubião de Machado de Assis, aproveitava o melhor da vida: curtia o Maracanã nos dias de jogo do Flamengo, pegava uma praia e se aventurava no samba. Suas férias costumava passar em Cananéia-SP, Guarujá-SP, Angra dos Reis-RJ, Cabo Frio-RJ, além de outras belas cidades.
Seu Didi voltou a São João deixando pelas bandas do sul dois filhos, que atualmente residem em São Paulo, um de 28 e outro de 26 anos. Tem também um netinho.
Em nossa cidade é sempre comum encontrá-lo andando por aí com aquele andar mole, de quem vai pra lugar nenhum. Não carrega no semblante sinal algum de quem sofreu as agruras da vida. Pelo contrário, deixa-se impregnar de um desmedido alto-astral, fazendo cumprimentos a todos com interjeições. Bom de memória, sabe o nome daqueles que cumprimenta. Vaidoso, encarna sempre um personagem: num dia é o Maluco Beleza, noutro Elvis Presley, noutro um hippie, e assim por diante.
O mais célebre dos bon vivants, Frank Sinatra, certa feita disse em vida: - “Só se vive uma vez, e da maneiro como vivo, uma vez me basta”. Alheio as fardos que a vida nos impõe no dia-a-dia, Seu Didi leva consigo a alegria de quem já experimentou o que a vida pode oferecer de melhor, de quem viveu intensamente, de quem sabe que insensato e perturbado, na verdade, é o próprio mundo.
Ainda que em “Quincas Borba” Machado de Assis tenha cunhado a expressão “Ao vencedor as batatas”, Seu Didi parece não encarar a vida com uma competição, embora no fundo saiba que, no final da contas, ela lhe deu mais do que tirou.
Fonte: Redação Pé de Figueira