“Maria, Maria
É um dom, uma certa magia
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece
Viver e amar
Como outra qualquer
Do planeta
Maria, Maria
É o som, é a cor, é o suor
É a dose mais forte e lenta
De uma gente que rí
Quando deve chorar
E não vive, apenas aguenta...”
Esta semana irei discorrer sobre as mulheres. Não é das mais simples a missão de falar sobre essas criaturas iluminadas, colocadas divinamente no mundo para fazer dele um lugar melhor pra se viver. Esta tarefa se torna mais complicada quando o objetivo é homenagear as mães.
Esta música brasileira, composta por Milton Nascimento e Fernando Brant em 1978, cujo nome serve de título para esse texto, consegue retratar a mulher levando-se em consideração aspectos femininos que historicamente foram esquecidos por todos. A mulher sempre foi considerada como o sexo frágil, dependente e submissa à figura masculina. Hoje vemos que esta concepção está deveras ultrapassada.
Os dois compositores, ainda na década de setenta, já começam a mudar esta visão distorcida da figura feminina. Eles tratam a mulher como uma criatura forte, guerreira, destemida e que, apesar das adversidades e agruras da vida, não desistem nem perdem a fé em dias melhores.
O titulo da música já revela essa força feminina. Maria em hebraico significa senhora soberana. Segundo o Dicionário Michaelis, soberano significa: “Que governa com absoluto poderio; Que exerce um poder supremo sem restrição nem neutralização; Poderoso ou potente nos seus atos e efeitos; Excelente no seu gênero; que atinge o mais alto grau, supremo...”. Em outro trecho da música eles dizem:
“... Mas é preciso ter força
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria
Mistura a dor e a alegria...”
Essa força feminina se revela na sua jornada tripla. Tem que exercer suas funções profissionais, cuidar da casa, do marido, dos filhos e estar sempre disponível para qualquer eventualidade que aconteça. Tem que ter força e tempo pra todos, tudo gira em torno da mãe, nada funciona fora do seu campo gravitacional, sem ela tudo pára.
Força traduzida também na capacidade de ser feliz mesmo rodeada de problemas, de não deixar que suas decepções e angustias comprometam os momentos de alegria daqueles que ama. Força para suportar, sem reclamar em nenhum instante, os problemas de todos. E eles prosseguem:
“... Mas é preciso ter manha
É preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania
De ter fé na vida...”
E mesmo com tanta força, com tanta garra, mesmo com o peso do “fardo” que devem suportar diariamente, não perdem a delicadeza, ternura e sensibilidade, não deixando de ser o nosso porto seguro, estando sempre de braços abertos para nos afagar e acalmar nossos ânimos.
Esta é uma homenagem que faço a todas as mães, que são “Marias”, mesmo que não tenham esse nome. “Marias” que são de Fátima, das Graças, dos Prazeres, das Dores, da Consolação e que são, sempre e sempre, do Perpétuo Socorro. E em especial à Maria Arlete, minha amada mãe.
Para finalizar, deixo essas palavras de Rui Barbosa:
“Aos nossos pais...
... Se um dia já homem feito e realizado,
sentires que a terra cedes aos pés
que tuas obras desmoronaram,
que não há ninguém a tua volta para te estender a mão,
esquece a tua maturidade,
passa pela tua mocidade,
volta a tua infância e balbucia,
entre lágrimas e esperança.
As últimas palavras que restarão na alma:
‘Minha mãe, meu pai.’”