Praça Noé Carvalho, no Centro de São João do Piauí
“A mesma praça, o mesmo banco,
as mesmas flores e o mesmo jardim
Tudo é igual, mas estou triste,
porque não tenho você perto de mim”.
No refrão da música “A Praça”, do conterrâneo do Rei Roberto Carlos, Carlos Imperial, gravada originalmente por Ronnie Von em 1967, vemos a tristeza do mesmo ao retornar à praça e vê-la bela como antes, porém sem a presença da sua amada.
Quando visitamos a Praça Noé Carvalho, no centro de São João do Piauí, vemos que a única coisa que permanece igual é o seu nome. Vítima da ação implacável do tempo, conjugada com a insensibilidade e inoperância do Governo Municipal, não encontramos ali nem flores, nem jardins e nem beleza.
O que existia de belo deu espaço ao lixo, aos buracos e a entulhos. O que ainda resta de plantas, algumas com décadas de existência, padecem por falta d’água e de cuidados de um jardineiro. O que antes era um espaço de encontros e de negócios, hoje é um cenário desolador e abandonado.
Encravada no coração da nossa cidade, a Praça Noé Carvalho é desde os primórdios de São João o seu centro comercial. La já funcionou o mercado público e por muitos anos foi onde se instalavam as barracas da tradicional feira semanal, sempre realizada às segundas-feiras.

Foi ainda o palco de encontros de populares durante todo o dia e também à noite. Lembro que na minha infância meu pai tinha um restaurante nos arredores da praça, onde hoje funciona a casa lotérica. O prefeito da época, cujo nome não me recordo agora, construiu uma torre de acrílico onde existiam propagandas comerciais e no seu centro guardava uma televisão. Todos os dias várias pessoas se reuniam na praça para assistir às novelas e ao Jornal Nacional. Esta é uma das cenas do meu tempo de criança que não esqueço e nem quero esquecer. Era muito bom ver a praça sempre clara, limpa, bonita e repleta de gente.
Hoje é rodeada por instituições financeiras, farmácia, óticas, açougues, supermercados e lojas de calçados, tecidos e móveis. Esta praça está para o comércio sanjoanense como a 25 de março está para o paulista.
É uma pena que a mesma não tenha recebido ao longo do tempo a devida atenção do poder público. A última ação municipal que nos recordamos ocorreu na terceira gestão do Senhor Claudionor Paes Landim de Oliveira, o Dandô, e daí já se passaram mais de 15 anos.
O que nos deixa mais preocupado é que já caminhamos para o sexto ano de mandato da atual gestão e não vislumbramos nenhuma ação em prol deste espaço tão importante para nosso município. Torcemos que não esteja distante o dia em que a única tristeza que nos aflija quando chegarmos àquela praça seja a saudade de alguém que esteja distante, como a que perturbou o compositor supracitado.
Para corroborar com o que estamos falando, vejamos algumas fotos do local tiradas no dia de finados passado:

