Boa Tarde! São João do Piauí, 03 de setembro de 2010
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  • Mateus, primeiro os teus

    “Mateus, primeiro os teus”. A citação dessa passagem bíblica foi evocada pelo Senador Mão Santa para justificar o emprego de inúmeros parentes durante seu Governo, quando o STF ainda não havia proibido a prática de nepotismo. A frase confirma o adágio de que até o diabo pode usar a Bíblia em sua defesa, basta que para isso se distorça sua interpretação.
     
    O amadurecimento político e o fortalecimento das instituições democráticas tem caminhado no sentido de abominar a prática de certos políticos que tratam a coisa pública como uma extensão de suas cozinhas.
     
    O historiador Sérgio Buarque de Holanda, em sua clássica obra Raízes do Brasil, já dissertava sobre as origens da dificuldade de separação entre o público e o privado pelos detentores do poder em nossa sociedade, afirmando que “para o funcionário ‘patrimonial’, a própria gestão política apresenta-se como assunto de seu interesse particular; as funções, os empregos e os benefícios que deles se aufere relacionam-se a direitos pessoais do funcionário e não a interesses objetivos, como sucede no verdadeiro Estado burocrático”.
     
    O que temos observado ultimamente no cenário político piauiense é o prevalecimento de interesses particulares em detrimento dos coletivos. A começar pelas “neocandidaturas” familiares e se estendendo ao atual Governador do Estado, candidato à reeleição.
     
    Senão vejamos: até 2005 Wilson Martins era um deputado estadual do PSDB que perfilava as trincheiras da oposição ao Governador Wellington Dias na Assembléia Legislativa. Em 2005, na propaganda do PSDB, Wilson destacava que seu então partido tinha um “discurso antes, e o mesmo discurso depois”.
     
     

    Vídeo do então Deputado Estadual Wilson Martins, no PSDB 
     
    Mas sua investidura no cargo de Secretário Estadual de Desenvolvimento Rural-SDR foi suficiente para a mudança de seu discurso. E de seu partido. Já no PSB em abril de 2006, Wilson se desincompatibiliza do cargo de Secretário pra concorrer à reeleição como Deputado Estadual. Não sem antes deixar em seu lugar - no seu feudo, quer dizer, a SDR -, um cunhado seu.
     
    Eis que chegam as convenções de junho de 2006. Com a derrota do grupo governista na convenção do PMDB, emerge o nome de Wilson para ser candidato a Vice-Governador, na chapa encabeçada por Wellington Dias. Wilson não concorreria mais à reeleição para a Assembléia, e teria pois a oportunidade de prestigiar seus correligionários que o receberam de braços abertos no PSB, fortalecendo seu novo partido que até sua chegada dispunha de apenas dois prefeitos em todo o Estado.
     
    O que fez Wilson? Colocou sua mulher pra ser candidata em seu lugar, uma das mais votadas no pleito daquele ano. Igualmente eleito vice-governador, Wilson iniciou uma cruzada pelo Estado para viabilizar sua candidatura à Governador em 2010, ciente de que assumiria o bastão do comando estadual em abril deste ano.
     

    De Vice de última hora, a Governador candidato à reeleição 
     
    Antes disso, porém, nas eleições municipais de 2008, manteve-se fiel à máxima entoada pelo Senador Mão Santa: “Mateus, primeiro os teus”. Em Teresina, apoiou a candidatura de um sobrinho seu, Rodrigo Martins, a vereador. Eleito. Em Santa Cruz, terra de seus familiares, incumbiu uma sobrinha de substituir seu irmão que, depois de dois mandatos, deixaria a Prefeitura. Sua sobrinha perdeu a eleição, mas decisão recente da Justiça Eleitoral cassou o atual prefeito, determinando a sua posse.
     
    Mas o irmão que deixou a Prefeitura de Santa Cruz não ficou menos prestigiado. Tampouco abandonado. Na composição do novo governo estadual, foi nomeado como Secretário de Desenvolvimento Rural – essa mesma, o feudo - para substituir o próprio cunhado.
     
    Wilson, Lílian e Rodrigo Martins: Governador, Deputada e Vereador de Teresina, respectivamente
     
    As manobras políticas do Governador não esbarram em qualquer tipo de ilegalidade. Alguém poderia alegar que todos seus parentes foram submetidos ao sufrágio popular, a despeito de eventuais “ajudas” que teriam recebido. Entretanto, como preconizavam os antigos romanos, non omne quod licet honestum est. Nem tudo que é lícito é honesto.
     
    A maior proeza do atual Governador, no entanto, foi pessoal. Além de viabilizar-se como candidato, com reais possibilidades de vitória, Wilson conseguiu aumentar seu patrimônio pessoal em mais de 600%, ainda que nos últimos quatro anos tenha se dedicado exclusivamente à política. Sua declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral em 2006 somava RR$ 465.282,05. Já em 2010, o patrimônio de Wilson é de R$ 2.881.888,50.
     

     
    A notícia recente de que o agora Governador teria dado dois contracheques a um parente seu na Secretaria de Governo reforça a suspeita de uso do Estado como capanga de idiossincrasias pessoais.
     
    Como nos advertia Ulysses Guimarães, é indecoroso fazer política uterina, para em seguida profetizar: “o bom político costuma ser mau parente”.

    Postado em 27/08/10, 09:55 | Seja o primeiro a comentar

  • Sobre política e fidelidade

    Um dos princípios fundamentais da moral é a de que os pactos devem ser observados. Mesmo Maquiavel, percussor da ciência política, não tinha dúvida a esse respeito. Ele advertia, no entanto, que os governantes que realizaram “grandes coisas”, não adotaram esse princípio como verdade absoluta. Afinal - pergunta-nos o eminente florentino - a que são chamados os governantes (que ele denomina “príncipes”): a cumprir pactos ou realizar “grandes coisas”? Se não conseguem realizar grandes coisas porque respeitam os pactos, então podem ser considerados bons governantes?
     
    Em seu tratado escrito há mais de meio século, Maquiavel explica que para julgar a bondade ou maldade de uma ação política é preciso ter em mente sua finalidade. Trata-se, como destacou Max Weber, da “ética da responsabilidade”, quando alguém considera haver feito seu dever caso consiga obter o resultado a que se propunha, e que se contrapõe à “ética da convicção”, quando alguém considera que seu dever é respeitar certos princípios de conduta considerados válidos, independentemente das conseqüências – boas ou ruins – que possam gerar.
     
    Norberto Bobbio nos alerta que a política tem suas razões e, portanto, suas justificações, que são diferentes das razões e, em conseqüência, das justificações do indivíduo que atua tendo em vista seus próprios interesses. É como dizer que em virtude do interesse coletivo, o político pode fazer certas coisas consideradas não permitidas ao indivíduo.
     
    Gabriel Naudé, autor de um conhecido tratado sobre a razão de Estado intitulado “Considerações Políticas sobre os golpes de Estado” (1629), escreveu, citando Charron, que “a virtude e a bondade dos governantes transitam por um caminho diferente daquele do homem comum: com efeito, suas vias são mais amplas e mais livres, para equilibrar a grande, pesada e perigosa responsabilidade que carrega sobre suas costas.”
     
    Em épocas de eleições, costumam exorcizar políticos como apóstatas da fidelidade partidária. Magalhães Pinto lembrava que há fidelidade e fidelidade, como há cadeia e cadeia. Há a cadeia do opróbrio, que é a cadeia do ladrão, do assassino, do proxeneta, do traficante. E há a cadeia que é honra e glória, a cadeia de Mangabeira, de Siqueira Campos, de Juscelino Kubitschek, de Júlio Mesquita, dos jornalistas Castelo Branco e Vladimir Herzog.
     
    Por infidelidade, Sócrates foi envenenado, Cristo foi crucificado, Joana D´Arc foi queimada, Garcia Lorca foi fuzilado, Tiradentes foi enforcado. Imortalizaram-se, porém, como fiéis ao seu povo, porque quem atesta a verdadeira fidelidade é a História, não os interesses contrariados.

    Postado em 25/08/10, 09:52 | Seja o primeiro a comentar

  • Teremos que pagar mais essa conta?

    Depois de uma série de arrombamentos ocorridos no comércio de São João do Piauí, a Polícia Militar planeja implantar um sistema de monitoramento, por meio de câmeras, nas principais ruas da cidade. A central de monitoração ficaria na própria sede da Companhia da PM.
     
    Assim, o sistema de monitoramento serviria para maximizar as ações preventivas, repreensivas e investigativas da polícia. A medida já foi adotada em várias cidades do Brasil e do mundo.
     
    A iniciativa da polícia militar em São João representaria uma experiência válida não fosse por um detalhe: querem que os comerciantes paguem a conta. A idéia é que feito o orçamento, cada empresário contribua com uma parcela para a compra do sistema. O problema já começaria no valor que cada um iria despender, uma vez que donos de estabelecimentos menores se julgariam injustiçados em pagar o mesmo que os donos de grandes comércios.
     
    Além disso, é preciso lembrar que segurança pública é uma atribuição constitucional do Estado. Independentemente dos recursos ou instrumentos que utilizem, é dever do Estado arcar com os custos indispensáveis ao bom cumprimento de seu mister.
     
    Para isso, pagamos os impostos. Existem 83 tributos, taxas e contribuições no país, que consomem em média 40% da remuneração que obtemos com o nosso esforço. Trabalhamos 148 dias por ano para o Governo. Em troca de que mesmo? Dentre outras coisas igualmente importantes, como saúde e educação, deveria ser para termos segurança.
     
    O economista Antonio Delfim Netto produziu a imagem definitiva para exprimir a tortura a que a população foi condenada, ao chamar o Brasil de "Ingana": uma nação com carga tributária da Inglaterra e serviços públicos dignos de Gana.
     
    Essa precariedade dos serviços prestados pelo Estado fez surgir o anacronismo do emprego da segurança privada, estimulada pela “indústria do medo” que se criou e que culmina no financiamento privado das atividades de segurança pública.
     
    Se já se disse que o enfraquecimento do ensino público favorece as escolas privadas, que o sucateamento dos hospitais públicos beneficia as clínicas e laboratórios particulares, não resta dúvida de que a inércia estatal quanto às políticas de segurança privilegiam as empresas de segurança privada, que já movimentam bilhões em nosso país.
     
    Não bastassem os impostos, será que teremos que pagar mais essa conta?

    Postado em 21/08/10, 11:37 | Seja o primeiro a comentar

  • 12 mentiras em 12 minutos

    O site Vermelho, ligado ao Partido Comunista do Brasil, elencou algumas contradições da entrevista de José Serra concedida ao Jornal Nacional nesta semana. Numa análise da entrevista de 12 minutos ao Jornal Nacional, o Portal detectou pelo menos 12 questões levantadas por Serra que não correspondem à realidade. Abaixo, um resumo das “mentiras por minuto” que Serra contou aos telespectadores do telejornal de maior audiência da televisão brasileira, segundo o Vermelho.
     
    1. Fiz os genéricos...
    Parece uma constante na biografia de José Serra a sua pretensão de autoria sobre programas que ele não criou, apenas regulamentou. A história da legislação dos genéricos no Brasil inicia-se pelo então deputado federal Eduardo Jorge, em 1991, quando apresentou o Projeto de Lei 2.022, que planejava remover marcas comerciais dos medicamentos. Em 1993, foi publicado pelo então presidente Itamar Franco, que tinha como ministro da Saúde Jamil Haddad, o Decreto nº 793, que instituiu a política de medicamentos genéricos. Portanto, quando Serra assumiu o Ministério da Saúde, no governo FHC, o programa de medicamentos genéricos já era uma realidade. Serra e FHC apenas revogaram o decreto anterior na íntegra e fizeram uma lei (9.787/99) e um novo decreto (3.181/1999) com muitas concessões ao lobby da indústria farmacêutica.
     
    2. Fiz a campanha da Aids...
    O mesmo embuste dos genéricos, Serra aplica em relação ao programa de combate à Aids. Na verdade, o tucano, por uma estratégia de marketing, assume como se fosse dele um programa que é anterior à sua gestão no Ministério. Saiba mais aqui
     
    3. A saúde, nos últimos anos, não andou bem
    Serra tenta generalizar para não reconhecer que a situação hoje é melhor que no governo passado. A saúde continua com problemas, é óbvio, sobretudo no atendimento de urgência e emergência de hospitais do país. Mas nos últimos anos, houve melhoras significativas em quase todas as demais áreas da saúde. No governo Lula diminuiu sensivelmente a mortalidade materna e a mortalidade infantil. O Brasil está entre os 16 países em condições de atingir a quarta meta dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio nestas questões. O governo Lula instalou e ampliou programas importantíssimos que não existiam ou estavam subutilizados na gestão de Serra ministro, como o Farmácia Popular, Brasil Sorridente, Saúde da Família - o financiamento do programa foi triplicado entre 2002 e 2008, passando de R$1,3 bilhão para R$ 4,4 bilhões -, Samu 192 – ao qual SP se nega a aderir até hoje -, PAC da Saúde, UPA 24h, Olhar Brasil, Doação de Órgãos, Bancos de Leite Humano, QualiSUS (fortalecimento do SUS, que os tucanos boicotam), mais investimentos na Política de Saúde Mental, etc. Todo este avanço ocorreu mesmo com o fato da oposição, incluindo o DEM e o PSDB, ter votado pelo fim da CPMF, que destinava recursos para a saúde. Também é preciso frisar que nem todas as ações dependem da União. Governos estaduais e municípios têm ampla participação na gestão da saúde. Serra também não conseguiu resolver os problemas na saúde pública de São Paulo quando foi prefeito, nem quando foi governador.
     
    4. Muita prevenção que se fazia acabou ficando para trás
    Mentira pura de Serra. O governo federal manteve e ampliou todas as campanhas de vacinação existentes e ainda incluiu novas vacinas no calendário oficial. Desde 2004, o Ministério da Saúde adota três calendários obrigatórios de vacinação: o da criança, o do adolescente e o do adulto e idoso. O programa de prevenção às endemias funciona bem, ao contrário do que acontecia no governo Fernando Henrique. Quando Serra ainda era ministro da Saúde, o Brasil sofreu com uma terrível epidemia de dengue, ao ponto do tucano ter sido apelidado de “ministro da dengue”.
     
    5. O Roberto Jefferson conhece muito bem o meu programa de governo
    Nem Roberto Jefferson nem nenhum outro aliado do tucano conhece o “programa de governo” de Serra porque ele simplesmente não existe. Quando foi entregar o seu “programa” no TRE, a campanha tucana protocolou a transcrição de dois discursos de Serra, e disse que aquilo era o programa de governo da candidatura. Além disso, Roberto Jefferson aliou-se a Serra não por que comunga com o tucano ideias programáticas. Pelo contrário: Jefferson criticou duramente Serra quando o tucano deu declarações contra o “mercado”. O apoio do PTB a Serra tem um único objetivo: facilitar a eleição de deputados da legenda nas coligações regionais.
     
    6. Eu não faço loteamentos de cargos
    Serra vem repetindo esta lorota em várias ocasiões. Mas o fato é que quase todas as instituições, estatais e órgãos públicos do governo de São Paulo são chefiados por correligionários ou pessoas indicadas pelos líderes de partidos que governam o estado. As subprefeituras da cidade de S. Paulo, tanto na gestão Serra quanto na gestão Kassab, foram e são comandadas por apadrinhados políticos. Aliados de Serra, como o presidente do PPS, Roberto Freire, mesmo não tendo nenhum vínculo com SP, foram nomeados para conselhos de estatais paulistas. O neo-aliado Orestes Quércia (PMDB) já fez diversas indicações para cargos de confiança em SP na atual gestão demo-tucana. Prefeitos de partidos que lhe fazem oposição dizem que Serra governa com mapa político nas mãos e com ele no governo os adversários passam a pão e água. Verbas, convênios e obras só para seus aliados. Ao insistir nesta afirmação de que “não faz loteamento”, o tucano menospreza a inteligência do eleitor e provoca riso –e talvez alguma preocupação-- entre seus aliados, que sabem que alianças são feitas apenas se as forças políticas participantes puderem compartilhar a administração pública do mandatário que ajudaram a eleger.
     
    7. Eu não sou centralizador
    Quem desmente o candidato são seus próprios correligionários. As seções de bastidores de política dos principais jornais do país trazem toda semana a reclamação de algum aliado de Serra que protesta contra o modo centralizador como o candidato conduz a campanha. Chegaram a dizer que enquanto a campanha de Dilma é conduzida por um G7, a de Serra é conduzida por um G1, grupo formado por ele mesmo.
     
    8. O Índio da Costa estava entre os nomes que a gente cogitava
    Não há nenhum analista político no país que tenha coragem de confirmar esta afirmação de Serra. Simplesmente porque ela é uma mentira deslavada. O nome de Índio da Costa só surgiu aos 45 minutos do segundo tempo, depois que uma dezena de outros nomes já tinham sido descartados e uma crise grave estava instalada na campanha. O próprio Serra disse que não conhecia direito o vice escolhido pelo DEM.
     
    9. Meu vice é jovem, ficha limpa, preparado
    Em primeiro lugar, aos 40 anos a pessoa já não é tão jovem assim. Tanto que o deputado do DEM nunca se interessou por projetos ligados à juventude. Mas quanto a isso, sem problemas. O problema é dizer que Índio da Costa é “ficha limpa”. A verdade é que a “ficha” do apadrinhado de Cesar Maia tem algumas manchas bem encardidas. Ele foi um dos alvos da CPI na Câmara dos Vereadores do Rio que investigou superfaturamento e má-qualidade nos alimentos comprados para a merenda escolar, quando ainda era vereador. Além disso, o deputado demista foi sim um dos que relataram o Projeto Ficha Limpa no início, mas o relatório fundamental foi do deputado do PT-SP José Eduardo Cardozo. Quando os tucanos tentam colocar na conta de Índio da Costa a aprovação do projeto Ficha Limpa apelam para o mesmo engodo que Serra aplica quando se diz o criador da Lei dos Genéricos. E, por fim, sobre o adjetivo “preparado”, basta lembrar as trapalhadas e constrangimentos que Índio da Costa causou à campanha tucana logo no início para saber que é um elogio descabido.
     
    10. Nunca o Brasil teve estradas tão ruins
    Mais uma vez Serra generaliza para tentar esconder as melhorias ocorridas nos últimos anos. Esta frase de Serra poderia caber durante o governo Fernando Henrique que investiu quase nada em estradas. O governo Lula não só aumentou os investimentos, como promoveu a concessão de algumas rodovias federais que agora recebem melhorias sem que para isso os usuários tenham que pagar elevadas tarifas de pedágio. O canal de notícias T1 (http://www.agenciat1.com.br ) especializado em transportes, desmente o discurso tucano e fornece enorme quantidade de dados e informações que mostram que as rodovias federais melhoraram e não pioraram nos últimos anos.
     
    11. A Fernão Dias está fechada
    Serra deveria avisar isso aos milhares de motoristas que trafegavam pela Fernão Dias no exato instante em que o tucano dizia tal mentira. Serra fez a firmação como se a rodovia estivesse totalmente indisponível para o tráfego. O fato é que apenas um pequeno trecho, na região de Mairiporã, da rodovia que liga São Paulo a Minas Gerais está em obras.
     
    12. A Regis Bittencourt continua sendo a rodovia da morte
    A Rodovia Régis Bittencourt, que liga São Paulo a Curitiba, foi incluída, em 2008, no plano federal de concessões. Desde então, foram feitas diversas melhorias na via. Os 402 quilômetros da rodovia receberam melhorias no asfalto, nova sinalização, muretas de proteção e serviço de atendimento ao motorista. É fato que os R$ 302 milhões investidos até agora não foram suficientes para acabar com a má fama da Régis, mas foi o governo Lula o primeiro a tomar a iniciativa de melhorar a estrada. No governo FHC, nada foi feito e, apesar da maior parte da rodovia estar em território paulista, os sucessivos governos tucanos em SP nunca propuseram parcerias com o governo federal e/ou municípios para ajudar na conservação da BR.
     
    Serra ainda pretendia contar uma 13ª lorota: a de que vai governar para os pobres e não para os ricos, mas não deu tempo.

    Postado em 13/08/10, 05:40 | Seja o primeiro a comentar

  • Morre Wilson Martins

    Calma! Não se trata no governador piauiense Wilson Martins, mas daquele considerado por muita gente o maior crítico literário brasileiro. Wilson Martins morreu no sábado passado, aos 88 anos, em Curitiba, onde morava.
     
    A imprensa noticiou sua morte apenas através de algumas notas curtas, com os dados biográficos, os prêmios, os títulos, e as obras principais, entre elas a que merece maior destaque: a "História da Inteligência Brasileira", de doze volume, em que trata das raízes da ficção científica e da literatura fantástica brasileira.
     
    Wilson Martins tinha a combinação de dois talentos raros, o de muito ler e o de muito lembrar. Isto lhe permitia traçar o perfil de uma época literária recorrendo a dúzias de fontes heterogêneas. Romance, teatro, direito, poesia, imprensa, memorialismo, legislação, tudo isto ele consultava e costurava numa argumentação clara e muitas vezes ferina, fotografando o “espírito do tempo”.
     
    Poucas pessoas terão lido tanto, ou, tendo lido, terão registrado com tamanha minúcia e visão pessoal suas impressões sobre o que leram. À esquerda e à direita Wilson Martins era tido como um franco atirador, um sujeito que não pertencia a nenhuma das dez ou doze confrarias informais que regem a Bolsa de Valores Literários do nosso país.
     
    Era um crítico que ia direto ao ponto quando se tratava de resumir em poucas linhas a contribuição de um autor ou os seus limites como criador literário. Muitos críticos são temidos pelos escritores porque sabem que eles gostam de falar mal, justamente para serem temidos. Não era a impressão que se tinha de Wilson Martins. Tinha seus critérios de leitor: nunca engoliu, por exemplo, Sousândrade e costumava comparar Guimarães Rosa e Mário Palmério dizendo tratar-se do mais superestimado e do mais subestimado dos nossos romancistas regionais.
     
    Mas nada disso fazia parte da chamada “crítica vitriólica”, do “bater para ser respeitado”. Wilson Martins parecia ver nas obras o início, o fim e o meio de tudo, sendo os escritores e sua “persona” um mero fator a ser levado em consideração.
     
    Tinha um humor fino, capaz de fazer murchar uma reputação pomposa com uma simples alfinetada no ponto certo. Pesquisar obras obscuras parecia diverti-lo imensamente. Num mundo dividido entre críticos textuais (que só veem as palavras) e contextuais (que só veem psicologia e sociedade), ele era capaz de compor vastos planos gerais da política, da história e da economia, ao longo de várias páginas, e partir dali para mostrar seus reflexos no enredo de um romance ou na temática de um florilégio de sonetos. Ia do texto ao mundo e de volta ao texto com um volteio da pena. Pensava com clareza e escrevia com elegância.

    Postado em 17/06/10, 12:20 | Seja o primeiro a comentar

  • Minha avó e os romances oitocentistas

    Minha avó paterna, do alto de suas mais de nove décadas de lucidez, costuma sempre questionar os jovens transeuntes que se põem diante de sua cadeira de balanço na sala de sua casa sobre que profissão adotaram ou pretendem adotar. Pros de casa, tem o hábito de dizer que filho de pobre tem que seguir a carreira de médico ou advogado. Professores, contadores, historiadores, sociólogos, matemáticos, agrônomos, engenheiros, para ela, se resumirão a lutar pela sobrevivência. Digna há, ainda, a carreira de Padre, pela nobreza de espírito revelada naqueles que se dedicam aos desígnios de Deus.
     
    Não obstante a ingenuidade e até o preconceito que se extrai da sentença de minha avó, é importante observar que sua opinião condiz não apenas com a opinião dominante entre seus contemporâneos e conterrâneos, mas também com a concepção emanada dos romances oitocentistas que espelhavam temporal e espacialmente a realidade cotidiana e, por isso, refletiam o pensamento da sociedade brasileira.
     
    Naquela época, os personagens dos romances dividiam-se entre o direito e a medicina, muito embora houvesse mais convenção do que vocação na profissão escolhida. Bentinho, por exemplo, carregava não apenas a dúvida herdada por nós a respeito da fidelidade de Capitu, mas também a dúvida profissional compartilhada por vários outros personagens como Jorge(Iaiá Garcia), Brás Cubas(Memórias Póstumas de Brás Cubas), Seixas (Senhora), Tristão (Memorial de Aires), Álvaro e Leôncio (A Escrava Isaura) – para os quais o direito representava nada mais que um título de nobreza, um álibi profissional, uma “carta de alforria”.
     
    Naquela época, Roque Spencer Maciel de Barros afirmava que ser bacharel em direito era um “ideal de vida” em uma sociedade que formalmente proibia a vadiagem e socialmente condenava, em função da escravidão, qualquer forma de trabalho manual para os membros de sua elite.
     
    Relegada a segundo plano a inclinação pessoal dos acadêmicos de direito, as Faculdades produziam um contingente de advogados, administradores, parlamentarem, oradores, jornalistas e artistas. Mas não jurisconsultos.
     
    Alguns chegavam a abandonar a faculdade antes de concluírem o curso, como Seixas que deixa os estudos jurídicos no terceiro ano sem muito pesar, uma vez que “a carta de bacharel não tinha grande sedução para a sua bela inteligência mais propensa à literatura e ao jornalismo” (Senhora, 51-2). O mesmo acontece com Leôncio e Álvaro, rivais na disputa pela escrava Isaura. Após ter dissipado parte da fortuna paterna em Recife, e depois de ter abandonado o curso de medicina, Leôncio “tomou tédio também pelos estudos jurídicos” (A Escrava Isaura, 14) Álvaro se dedicou ao direito apenas para ter “uma profissão qualquer” (A Escrava Isaura, 62).
     
    Falta de vocação é também o caso do protagonista de Iaiá Garcia. Sem “queda para a profissão de advogado nem para a de juiz”(Iaiá Garcia, 82), Jorge “empregava uma partícula do tempo em advogar o menos que podia – apenas o bastante para ter o nome no portal do escritório e no almanaque Laemmert” (Iaiá Garcia, 85). Brás Cubas, por sua vez, decorou somente “as fórmulas, o vocabulário, o esqueleto. Tratei-a [a Universidade] como tratei o latim: embolsei três versos de Virgílio, dous de Horácio, uma dúzia de locuções morais e políticas, para as despesas de conversação. Tratei-as como tratei a história e a jurisprudência. Colhi de todas as cousas a fraseologia, a casca, a ornamentação...” (Memórias Póstumas de Brás Cubas, 146).
     
    Semelhante situação viveu Zuza, cujo “pouco amor aos estudos de direito só era percebido pela mãe” (A Normalista, 146). Tristão se recusa a seguir a carreira escolhida pelo pai, que queria vê-lo negociante, para seguir a carreira jurídica, mas apenas pelo título que o curso lhe ofereceria, e ele insiste: “Quero ser doutor! Quero ser doutor!” (Memorial de Aires, 84). Teobaldo enfrentou, também, o dilema entre o direito e a medicina. Mas ao contrário de outros, e já sob a influência do positivismo que valorizava as ciências naturais, Teobaldo opta pela medicina, afinal, “o direito se lhe apresentava à trafega fantasia com o insociável aspecto de um velho carregado de alfarrábios, tresandando a rapé, fanhoso, pedantesco, sem bigode e com óculos na testa”(O Coruja, 84).
     
    O direito e a medicina ainda gozam, nos dias de hoje, de elevado prestígio. Da mesma forma, como antes, as faculdades se amontoam de alunos atraídos por motivos outros que não sejam a vocação profissional.  Como conseqüência, o aumento vertiginoso de faculdades particulares para atenderem a uma crescente demanda, como também um quantitativo expressivo de profissionais incompetentes, de médicos de má reputação, de reprovações em massa em testes da OAB; afinal, ao contrário d´antes, e para decepção de minha avó, o diploma e a bata ou a toga não são mais parâmetros para mensurar a competência profissional e intelectual dos egressos das instituições de ensino superior.

    Postado em 24/05/10, 06:49 | (1) Comentário(s)

  • Tudo paranoia petista

    A Globo decidiu retirar do ar a campanha comemorativa dos seus 45 anos, depois que surgiram comentários de que trazia uma mensagem subliminar de apoio ao candidato do PSDB, José Serra, cujo número é o 45.
     
    De pronto, surgiram piadinhas na internet, principalmente no twitter, dizendo coisas do tipo “Ah, mas assim os jogos da copa não vão poder ter 45 minutos”, “Vamos lutar pelo direito que as pessoas possuem de, ao completar 45 anos, poder comemorar o seu aniversário”, “45 é liberdade de expressão”, etc. Todos devidamente espalhados e repetidos pelo perfil de apoio à candidatura de Serra no twitter, o RedePSDB.
     
    Fomos dar uma espiada no vídeo, disponível no Youtube, e o que ele fala? “Emoção? Mais! Mais informação? A gente é capaz! Brasil, muito mais! É por você que a gente faz sempre mais” (veja com seus próprios olhos aqui)
     
    Será que não lembra nem um tiquinho o slogan do Serra pra sua campanha presidencial, aquele meio genérico do Obama — “O Brasil pode mais”?  O logotipo também tá mais pra Gêmeos, mórbida semelhança:
     


    Mas deve ser coincidência... Imagina, a Globo não faria campanha pra um candidato assim, na cara dura! Quer dizer, a emissora até deu uma forcinha pro Collor em 1989, e pro FHC em 94 e 98, e pro Serra em 2002, e pro Alckmin em 2006. Mas isso não quer dizer nada! Temos certeza que, se a Vênus Platinada estivesse comemorando treze anos, faria uma enorme campanha (bem num ano eleitoral) com seus artistas celebrando esse número da sorte. E ainda colocaria seu 13 em vermelho, com direito à estrelinha.
     
    Além do mais, o vídeo sequer traz a Regina Duarte, tucana de carteirinha, no comercial da Globo! Pelo menos a velha collorida Claudia Raia compareceu.
     
    É bom que se diga, ainda, que ninguém proibiu ou censurou o comercial da Globo. Liberdade de expressão é também poder criticar a Globo. Assim como a oposição chiou e criticou o "filme do Lula em ano eleitoral", apesar do Lula não ser candidato a nada e do filme não mencionar uma só vez o PT.
     
    Não é só o número. O 45 é só a cereja do sundae. É a mensagem, parecida com o slogan “O Brasil pode mais” do Serra. Junte isso ao número e ao histórico global de sempre apoiar qualquer candidato que concorresse contra o PT, e não resta muita margem pra dúvida (repetindo, há três fatores: a mensagem do mais mais mais, o número 45, e o layout do número). Tanto que a Globo tirou do ar.
     
    Os anos redondos são mais celebrados que os que terminam em cinco (com exceção dos 25, um quarto de século e tal). Fomos tentar encontrar no Youtube o vídeo dos 35 anos da Globo (feito em 2000, ano não-eleitoral) e o 35 é mencionado apenas uma vez. A comemoração é toda em cima do “TV Anos 50”. Há um vídeo relativo à comemoração no Nordeste, essa sim voltada para os 35 anos. Mas uma coisa é uma vinheta regional; outra, completamente distinta, é nacional.
     
    E designers, só nós ficamos espantados com a mórbida semelhança entre o logotipo dos 45 anos e o 45 do PSDB? Azul, com letra em itálico. Vamos só comparar os logos pra talvez ver que não, é paranoia e a Globo sempre adotou o mesmo logo.
     
    Em 1990, Globo 25 anos (número do atual DEM, que não existia na época).


    Em 1995, Globo 30 anos.
     

     
    Em 2000, Globo 35 anos (que não dá o menor destaque ao 35. A comemoração é em cima dos 50).
     


    Em 2005, Globo 40 anos.
     


    E agora, em 2010, Globo 45 anos.
     


    Olhando só pro design do número, qual é mais parecido com o logo do PSDB? Qual tem a mesma curvatura do número?
     



    Postado em 21/04/10, 16:44 | (1) Comentário(s)

  • O Piauí e o pré-sal

    Se o Senado Federal permitir que a forma de distribuição dos royalties do petróleo aprovada na Câmara dos Deputados seja mantida, prevê-se que o Piauí terá um receita adicional de cerca de R$ 1,2 bilhões de reais por ano. É provável que o Senado altere a fórmula, cuja votação deverá ocorrer apenas depois das eleições. Mas uma coisa é certa: o Piauí terá sua fatia do bolo, e alguns bilhões rechearão por um tempo os cofres estaduais.
     
    O que faremos com esse dinheiro? Investiremos em educação, saúde, segurança, em grandes obras, aumentaremos o número de servidores públicos, pagaremos maiores salários? Que destino será dado a tão vultoso recurso?
     
    Bom que se diga, de antemão, que esses bilhões não serão permanentes: durarão até que se esgotem as reservas do pré-sal ou até que se comece a utilizar uma fonte alternativa de energia, diminuindo o preço e a importância do petróleo.
     
    No que diz respeito às reservas, estima-se que elas durem cerca de 50 anos – um piscar de olhos para a história. Quanto às fontes alternativas, é provável que elas cheguem antes que o petróleo se acabe – hoje milhões de dólares são investidos em pesquisas em busca de novas fontes como forma de amenizar os impactos ambientais, e já existem por aí carros a baterias de lítio, hidrogênio, etc. Assim, talvez o petróleo fique obsoleto antes mesmo que as reservas se esgotem.
     
    Sendo assim, o que fazer com os recursos temporários que receberemos do pré-sal, diante da constatação de que não haverão de ser perenes? Na Noruega, o dinheiro que o petróleo gera não é gasto. Esse dinheiro vai para um fundo, que é investido nas bolsas do mundo inteiro. E a rentabilidade desse fundo é que se pode gastar. Dessa forma, o recurso pode oscilar conforme as bolsas de valores, conforme a economia, mas não se esvai.
     
    O Senador Cristovam Buarque(PDT-DF) é categórico ao defender a boa ultilização dos recursos do pré-sal: “É como alguém que ganha na loteria e gasta tudo, ou como alguém que ganha na loteria e aplica o dinheiro. O Brasil tirou na loteria com a camada de pré-sal, se for verdade tudo que se imagina dali, porque talvez nem seja verdade. Tirou na loteria! Nós vamos torrar o dinheiro da loteria ou nós vamos colocar num investimento eficiente?” Para o Senador, o melhor investimento é em educação.
     
    Em outros momentos da história, desperdiçamos as riquezas produzidas pelo nosso país. Foi assim, por exemplo, com o açúcar do Nordeste no tempo do Brasil colônia, ou com o ouro das Minas Gerais. Foi assim com o Haiti - que já foi um dia a “Peróla das Antilhas” e a mais rica colônia das Américas - com o Peru, países que tinham riquezas naturais fenomenais e que deixaram essas riquezas se esvaírem, deixaram essas riquezas saírem pelas veias abertas, como disse o escritor uruguaio Eduardo Galeano no seu livro As Veias Abertas da América Latina.
     
    No âmbito do Governo Federal, os recursos dos royalties deverão ser administrados por um comitê e ficarão de fora do orçamento. A prioridade serão investimentos em educação e desenvolvimento social. O risco que existe é o da substituição de recursos – algo que ocorreu com a IPMF (Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira). Aproveitou-se o recurso novo para reduzir as dotações orçamentárias para o setor.
     
    E quanto ao Piauí? Não se viu até então, qualquer discussão sobre a utilização desses recursos. Em 2010, o Orçamento Geral do Estado é de 5,1 bilhões, dos quais R$ 1,036 bilhões são destinados a investimentos. O resto é custeio, dívidas, pagamento de pessoal, etc. Ou seja, os recursos provenientes do pré-sal dariam para mais que duplicar os investimentos no Estado.
     
    Sem planejamento, no entanto, esses investimentos podem se tornar ineficazes. Pior ainda: se incluídos no orçamento como fonte de custeio da máquina ou pagamento de dívidas, podem tornar a administração estadual insustentável no futuro. É preciso, pois, que se inicie uma discussão no Estado sobre como e onde aplicar tais recursos. Nossa Assembléia Legislativa  poderia, a propósito, dar o pontapé inicial na discussão, que seria bem mais proveitosa que as questões paroquiais que frequentemente são levadas à tribuna daquela Casa.

    Postado em 07/04/10, 22:00 | Seja o primeiro a comentar

  • Esclarecimento do Pé de Figueira

    Os editores do Portal Pé de Figueira(PDF) foram avisados por um de seus leitores de que o Portal Sanjoanense estampa nota criticando a veiculação de comentário em seu fórum interativo. Segunda a nota, o comentário teria sido falsamente atribuído a um dos membros do mencionado site.
     
    Sobre o assunto, o PDF esclarece o que segue:
     
    01. Os redatores do PDF não utilizam o fórum interativo para emitir opiniões. O fórum é de uso exclusivo dos internautas.
     
    02. A utilização do fórum, por sua vez, é um privilégio, não um direito. Assim, o PDF estabeleceu regras para sua utilização, como a proibição de mensagens anônimas e utilizando-se de pseudônimos.
     
    03. No episódio do comentário objeto da crítica, o PDF foi vítima tanto quanto o membro do mencionado site de um internauta que se utilizou de pseudônimo para postar uma mensagem. Da covardia a que se refere a nota publicada, pois, o PDF também foi alvo. Age de forma pusilânime quem a imputa ao portal.
     
    04. A mensagem não levantou suspeita porque preencheu todos os critérios de legitimidade, inclusive apontando endereço de e-mail válido. O PDF ou portal algum não tem como sair questionando aos participantes do fórum se realmente escreveram essa ou aquela mensagem. Nem seria razoável que assim o fizesse.
     
    05. Com a afirmação feita por quem havia sido atribuída a mensagem de que não se tratava, na verdade, do autor da mesma, o PDF retirou, incontinenti, a mensagem do fórum.
     
    06. Cabe destacar, ainda, que antes da publicação da nota pelo outro portal, nenhum pedido, mensagem, comentário ou manifestação similar foi enviada ao PDF, pedindo a retirada ou informando-nos de que não era, de fato, o autor da mensagem.
     
    07. Por fim, diante de indícios de que o ocorrido possa ter configurado, pelo menos, crime de falsidade ideológica, o PDF noticiará o ocorrido à Delegacia de Polícia Civil de São João do Piauí, inclusive fornecendo o número de IP do internauta, para que adote as providências que julgar pertinente.

    Postado em 27/03/10, 17:55 | Seja o primeiro a comentar

  • Um homem de ação

    No último dia 23 de março o Deputado Paes Landim fez aniversário. Na ocasião, o parlamentar sanjoanense recebeu homenagem do cientista político Alexandre Rocha que, assim como o eminente colaborar deste portal Zeferino Júnior, é também colunista do Portal SRN. Veja abaixo o artigo:
     
     
    "A condição de ser político lamentavelmente se assimila a de ser corrupto. Essa equivalência enraizada no senso popular tem origem na ganância de alguns homens, que se valem da política para atingir objetivos torpes. Contudo, há homens que doam suas vidas à política no único intento de erigir de uma nação desenvolvida, justa, solidária. São estes homens, e tão-somente estes, os quais devemos valorizar na seara da política.
     
    Digo isso, porque ao me lembrar de minha juventude na cidade de São Raimundo Nonato, recordo com saudade as campanhas eleitorais. Como me fascinava esses momentos de participação popular, essa festa que atiça o ânimo dos cidadãos. Decerto, muita das vezes a democracia perdia sua função, pois se transformava numa marionete nas mãos de oportunistas. Nada obstante, eu acompanhava atentamente e com reverência os políticos. Admirava-os por suas idéias, eloqüência, carisma.
     
    Entre os políticos que presenciei nos palanques particularizo um. Trata-se de homem cuja presença era e ainda é corriqueira na cidade. Bem diferente da maioria dos políticos, que apenas vão ao encontro do eleitorado no prelúdio das campanhas. Muitos cidadãos piauienses concordam: ele é um representante sempre próximo e atento às causas do povo, principalmente daqueles moradores das localidades recônditas. Não convém aqui delinear toda sua bibliografia. Digo apenas que é vasta e motivo de orgulho para o nosso Piauí.
     
    Refiro-me ao deputado federal Paes Landim. Quem no Piauí não o conhece? Dificilmente alguém dirá que não. Ele é um homem conhecido por sua vida dedicada à política. Contudo, falar dessa sua característica não seria novidade. Portanto, não vou me delongar sobre o político, mas versar sobre o professor. Mas antes disso, faço duas citações sobre o deputado: exerce o sexto mandato federal com plena confiança do povo piauiense; participou assiduamente da Assembléia Nacional Constituinte, a qual deu origem à Constituição de 1988 e abriu caminho para o atual regime democrático. 
     
    Por obra divina, coube-me estudar na Universidade de Brasília (UnB). Foi nessa instituição que primeiramente ouvi comentários sobre o professor Paes Landim. Quando lá estudei, ele já estava licenciado. Entretanto, soube que além de lecionar, chefiou o Gabinete da Reitoria, o Departamento de Direito e foi diretor da Faculdade de Estudo Sociais Aplicados, da qual fui aluno. Ademais, numa época ímpar integrou o Conselho Editorial da UnB, ao lado de pensadores e professores brasileiros de notória envergadura, como Afonso Arinos, Cândido Mendes, Hélio Jaguaribe, Luiz Viana e Miguel Reale. Isso alteava meu espírito piauiense, porque aquele político que conheci pelas ruas de São Raimundo Nonato se tratava de intelectual cujo nome está cravado na história política brasileira.
     
    Alguns professores, com o professor Octaciano Nogueira, e colegas ao saberem de minha naturalidade me questionavam se eu não conhecia o professor Paes Landim. Respondia com franqueza: conheço o deputado. Todavia, no transcorrer do tempo descobri o professor-deputado. Notei que o político se confunde com o educador e vice-versa. Ora, o professor não ficou nas salas de aula, mas se avultou ao Congresso Nacional e alhures. Aliás, seus discursos se assemelham a aulas, nas quais mostra seu apreço e compromisso pelo o estado do Piauí. Mesmo licenciado do cargo de professor, ele não se furta de passar lições. Continuamente ele escreve artigos e textos em jornais sobre temas relevantes da política nacional e internacional, com destaque para área da educação.
     
    Neste dia 23 de março, Paes Landim, comemora seu aniversário. É data para ser lembrada. Afinal, o professor-deputado tem mais de 50 anos consagrados à vida pública, seja no ensino ou na política. Durante estes anos muitos eleitores avistaram suas virtudes, sobretudo seu amor incondicional pelo o estado do Piauí. Por isso, ele é acertadamente reconhecido pelo povo piauiense, aliados e, inclusive, adversários, como um homem de ação. "
     
    Alexandre Pereira da Rocha
    Cientista Político
    alxroch@yahoo.com.br

    Postado em 25/03/10, 21:33 | Seja o primeiro a comentar


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