Boa Tarde! São João do Piauí, 04 de fevereiro de 2012
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Notícias | Blog

  • Morre Wilson Martins

    Calma! Não se trata no governador piauiense Wilson Martins, mas daquele considerado por muita gente o maior crítico literário brasileiro. Wilson Martins morreu no sábado passado, aos 88 anos, em Curitiba, onde morava.
     
    A imprensa noticiou sua morte apenas através de algumas notas curtas, com os dados biográficos, os prêmios, os títulos, e as obras principais, entre elas a que merece maior destaque: a "História da Inteligência Brasileira", de doze volume, em que trata das raízes da ficção científica e da literatura fantástica brasileira.
     
    Wilson Martins tinha a combinação de dois talentos raros, o de muito ler e o de muito lembrar. Isto lhe permitia traçar o perfil de uma época literária recorrendo a dúzias de fontes heterogêneas. Romance, teatro, direito, poesia, imprensa, memorialismo, legislação, tudo isto ele consultava e costurava numa argumentação clara e muitas vezes ferina, fotografando o “espírito do tempo”.
     
    Poucas pessoas terão lido tanto, ou, tendo lido, terão registrado com tamanha minúcia e visão pessoal suas impressões sobre o que leram. À esquerda e à direita Wilson Martins era tido como um franco atirador, um sujeito que não pertencia a nenhuma das dez ou doze confrarias informais que regem a Bolsa de Valores Literários do nosso país.
     
    Era um crítico que ia direto ao ponto quando se tratava de resumir em poucas linhas a contribuição de um autor ou os seus limites como criador literário. Muitos críticos são temidos pelos escritores porque sabem que eles gostam de falar mal, justamente para serem temidos. Não era a impressão que se tinha de Wilson Martins. Tinha seus critérios de leitor: nunca engoliu, por exemplo, Sousândrade e costumava comparar Guimarães Rosa e Mário Palmério dizendo tratar-se do mais superestimado e do mais subestimado dos nossos romancistas regionais.
     
    Mas nada disso fazia parte da chamada “crítica vitriólica”, do “bater para ser respeitado”. Wilson Martins parecia ver nas obras o início, o fim e o meio de tudo, sendo os escritores e sua “persona” um mero fator a ser levado em consideração.
     
    Tinha um humor fino, capaz de fazer murchar uma reputação pomposa com uma simples alfinetada no ponto certo. Pesquisar obras obscuras parecia diverti-lo imensamente. Num mundo dividido entre críticos textuais (que só veem as palavras) e contextuais (que só veem psicologia e sociedade), ele era capaz de compor vastos planos gerais da política, da história e da economia, ao longo de várias páginas, e partir dali para mostrar seus reflexos no enredo de um romance ou na temática de um florilégio de sonetos. Ia do texto ao mundo e de volta ao texto com um volteio da pena. Pensava com clareza e escrevia com elegância.

    Postado em 17/06/10, 12:20 | (1) Comentário(s)

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  • jghkgcp | 17/01/11, 8h34

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