Boa Tarde! São João do Piauí, 04 de fevereiro de 2012
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Notícias | Blog

  • Sobre política e fidelidade

    Um dos princípios fundamentais da moral é a de que os pactos devem ser observados. Mesmo Maquiavel, percussor da ciência política, não tinha dúvida a esse respeito. Ele advertia, no entanto, que os governantes que realizaram “grandes coisas”, não adotaram esse princípio como verdade absoluta. Afinal - pergunta-nos o eminente florentino - a que são chamados os governantes (que ele denomina “príncipes”): a cumprir pactos ou realizar “grandes coisas”? Se não conseguem realizar grandes coisas porque respeitam os pactos, então podem ser considerados bons governantes?
     
    Em seu tratado escrito há mais de meio século, Maquiavel explica que para julgar a bondade ou maldade de uma ação política é preciso ter em mente sua finalidade. Trata-se, como destacou Max Weber, da “ética da responsabilidade”, quando alguém considera haver feito seu dever caso consiga obter o resultado a que se propunha, e que se contrapõe à “ética da convicção”, quando alguém considera que seu dever é respeitar certos princípios de conduta considerados válidos, independentemente das conseqüências – boas ou ruins – que possam gerar.
     
    Norberto Bobbio nos alerta que a política tem suas razões e, portanto, suas justificações, que são diferentes das razões e, em conseqüência, das justificações do indivíduo que atua tendo em vista seus próprios interesses. É como dizer que em virtude do interesse coletivo, o político pode fazer certas coisas consideradas não permitidas ao indivíduo.
     
    Gabriel Naudé, autor de um conhecido tratado sobre a razão de Estado intitulado “Considerações Políticas sobre os golpes de Estado” (1629), escreveu, citando Charron, que “a virtude e a bondade dos governantes transitam por um caminho diferente daquele do homem comum: com efeito, suas vias são mais amplas e mais livres, para equilibrar a grande, pesada e perigosa responsabilidade que carrega sobre suas costas.”
     
    Em épocas de eleições, costumam exorcizar políticos como apóstatas da fidelidade partidária. Magalhães Pinto lembrava que há fidelidade e fidelidade, como há cadeia e cadeia. Há a cadeia do opróbrio, que é a cadeia do ladrão, do assassino, do proxeneta, do traficante. E há a cadeia que é honra e glória, a cadeia de Mangabeira, de Siqueira Campos, de Juscelino Kubitschek, de Júlio Mesquita, dos jornalistas Castelo Branco e Vladimir Herzog.
     
    Por infidelidade, Sócrates foi envenenado, Cristo foi crucificado, Joana D´Arc foi queimada, Garcia Lorca foi fuzilado, Tiradentes foi enforcado. Imortalizaram-se, porém, como fiéis ao seu povo, porque quem atesta a verdadeira fidelidade é a História, não os interesses contrariados.

    Postado em 25/08/10, 09:52 | (1) Comentário(s)

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  • crixhdeuo | 17/01/11, 8h36

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