São João do Piauí, 18 de maio de 2012
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Notícias | Blog

  • O futuro do nosso passado

  • São João é uma cidade sem história registrada. Na literatura, uma ou outra contribuição foram prestadas por sanjoanenses depreendidos, como o Dr. Joaquim Vaz da Costa, que publicou Arengas e Retalhos em 1924, livro não mais encontrado atualmente, cujo último exemplar deve estar abandonado em alguma caixa velha com a herança de algum sanjoanense mais antigo. 

    De lá pra cá, a historiadora Rita de Cássia Carvalho publicou, em 1986, uma contundente cronologia sobre a cidade, com o apoio da Prefeitura Municipal. Mais recentemente, o ex-deputado Costantino Pereira – famoso contador de histórias, com uma memória extraordinária e a quem lamento não ter tido o privilégio de conhecer -  nos contemplou com relatos valiosos, em seu livro Lembranças e Histórias de uma Vida, publicado em 2001. Menção honrosa merece ainda os Relatos da Aldeia, de Gilvanni de Amorim, publicado em 2008, que conta histórias de sua adolescência na cidade.

    Fora isso e outras poucas contribuições - como o Memorial Pe. Solón, erigido sob os auspícios da obstinada Professora Expedita – quase nada podemos encontrar sobre a história da cidade. E já se disse, com razão, que “um povo sem história é um povo sem memória”. Estamos deixando partir nossos antepassados, que as gerações se sucedam, sem que deixem registradas suas lembranças, suas experiências, suas histórias, que por sua vez se confundem com a própria história da nossa cidade. Com os mais velhos,  vão-se também objetos, quadros, fotos, folhetins, jornais de antigamente – sim, São João já teve seu jornal, o “A Voz do Sertão”.

    Assim, merece destaque e apoio a proposta apresentada na Câmara Municipal pelo Vereador Leovegildo Amorim, o Lolota, de criação, na cidade, de um museu municipal.

    O Instituto Brasileiro de Museus, instância museológica máxima no Brasil, assim define: "Os museus são casas que guardam e apresentam sonhos, sentimentos, pensamentos e intuições que ganham corpo através de imagens, cores, sons e formas. Os museus são pontes, portas e janelas que ligam e desligam mundos, tempos, culturas e pessoas diferentes. Os museus são conceitos e práticas em metamorfose."

    Além de cumprir os princípios e finalidades de um museu, muitos deles descritos na Lei n° 11.904/2009, que instituiu o Estatuto dos Museus, a criação desse novo equipamento cultural, além de preservar nossa história para as gerações futuras,  contribuiria decisivamente para o interesse dos nossos jovens e crianças pela nossa história do passado. 

    Além disso, poderia incentivar o resgate e o registro de histórias e particularidades do cotidiano do nosso povo, reunindo, além de antiguidades, relatos sobre os tempos de antigamente, como as circunstâncias políticas de cada época, o crescimento da cidade, as reuniões no prédio da Câmara pra ouvir o rádio, os encontros no Beco do Potão,  as noites no Bar Central,  os filmes de caubói no cine do Honorinho do Janjão, as poesias do poeta Adail Coelho Maia e o talento musical do Netinho da Flauta. 

    Tudo isso e muito mais é história pulsante da nossa cidade, ávida pra ser rememorada, para que se garanta, enfim, algum futuro ao nosso passado.

    Postado em 02/09/11, 00:16 | (6) Comentário(s)

    | Mais
  • Luiz Abel | 02/09/11, 16h37

    Zé Abel,

    Sem muita surpresa, vejo que seus textos continuam excelentes! Meus parabéns.

  • Mariana Andrade | 18/09/11, 16h10

    Realmente, o Abel é bom.Poderia ser nosso prefeito...Inteligente, rico, um lorde...nem parece P. Landim....Um rapaz muito sensato e competente.Pra prefeito--ABEL

  • Mariana Andrade | 18/09/11, 16h14

    Você esqueceu da Garruncha, do Patró, um jornal interessante

  • Eduardo Campos Rocha | 22/09/11, 18h25

    Oportuno seu relato e posso afirmar a enorme dificuldade que pude experimentar quando, entre 2009 e 2010, empreendi pesquisa de campo tendo como cenário a cidade de São João do Piauí. Não fossem as memórias e relatos pessoais e alguns poucos documentos judiciais encontrados no fórum de São João, certamente não haveria opções para se contar a história. Bibliografia, reitero sua acertiva, é tão rara quanto as boiadas que escreveram a história econômica do estado e de São João.

  • ilaine | 04/11/11, 20h54

    minha mãe conta os acontecimentos dessa,do beco do potão,do tanque da intendência e outras historias amais.

  • Flávio Oliveira | 20/10/11, 6h00

    Joaquim Vaz da Costa foi Tio de minha avó, porém sei muito pouco sobre ele. Meu pai que o conheceu afirma que ele era um homem muito honesto e sem nenhuma preocupação com ganhos ajudava famílias com suas terras. Getúlio Vargas mandou o prender no RJ para que o mesmo não atuasse politicamente na região Nordestina, porém com sua bondade muitos o ajudaram para que não ocorresse tal fato. Palavras de meu sábio pai " ele era um homem muito bom " simples mas verdadeiro

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