Boa Tarde! São João do Piauí, 04 de fevereiro de 2012
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Notícias | Blog

  • O legado de Dr. Hildo Diniz

     
    O Projeto Piloto de Irrigação no assentamento Marrecas recebeu o nome de Hildo Diniz da Silva, em homenagem ao ex-Superintendente da Codevasf, primeiro a executar um projeto viável de desenvolvimento do local, através da riqueza de seu solo, a abundância de água e a força de trabalho de sua gente. Graças a seu trabalho, São João transpira nesses dias a segunda edição de seu Festival da Uva, evento que ele não viveu para ver acontecer.
     
    Dr. Hildo, como era conhecido, era natural de São Mamede, no interior da Paraíba. Formado em Engenharia Agronômica pela Faculdade de Agronomia do Submédio São Francisco-FAMESF, foi, durante 17 anos, Superintendente da Codevasf em Petrolina (Nov/1990-abr/2001) e Teresina (abr/2001-jan/2008). 
     
    Embora tenha ocupado por todo esse tempo um cargo de natureza política, Dr. Hildo se destacava por sua qualidade técnica e por sua capacidade de trabalho. Dizia que sempre sonhou trabalhar na Codevasf: “Vi meu pai, Braz Alves da Silva, ajudar a levantar a Codevasf em Petrolina, não como técnico, mas como operário que trabalhou na construção do prédio da sede do órgão”. Talvez por isso, tenha se dedicado a ela como um padre que se dedica à sua velha catedral, sem nunca arrefecer diante da saúde combalida por problemas no coração.
     
    Dr. Hildo era líder por carisma; não por hierarquia.  Tinha uma flagrante ascendência sobre seus comandados, sem jamais se ter extremado, do alto do seu cargo ou de sua experiência, num inatual ou num caturra que pretendesse dar superior e secamente aos seus subordinados exemplos de correção no cumprimento do dever. 
     
    Ex-Seminarista, Dr. Hildo exercia seu ofício na administração pública com a serena tranqüilidade de um sacerdote na prática de um ato litúrgico, e com a determinação resignada e silenciosa de um apóstolo a serviço de sua fé. Sua fala mansa contrastava com seu passo apressado.  Homem público, na acepção da palavra, nunca soube viver parasitariamente de seu país, desde quando, recém saído da faculdade em 1976, foi extensionista e assessor de irrigação do Emater-PE entre 1978 e 1990, até chegar à Diretoria e à Superintendência da Codevasf.
     
    Simples, os bens de fortuna não o fascinavam. Não lhe seduziam presentes, embora não dispensasse uma boa garrafa de mel. Não lhe interessavam os jantares da corte, preferia uma boa galinha ao molho pardo numa de suas visitas a Marrecas. O terno e a gravata reservava apenas para as ocasiões em que a liturgia do cargo os tornavam estritamente necessários. Renunciou a tudo: poder, considerações, riquezas, saúde.  Só não renunciou à dignidade de sua consciência, que manteve imaculada e inacessível em todos os minutos de sua vida. Com ela não fazia concessões, não transigia e não transacionava. Era o escudo infrangível de sua espartana bravura moral e de sua formação religiosa.
     
    Chamava atenção em Dr. Hildo, ainda, o tratamento que dispensava às pessoas, desde a funcionária que lhe servia a água, a quem chamava pelo nome.  Com seu jeito franzino, atendia com a mesma deferência o Presidente de uma Associação ou um membro do alto escalão do governo. Sempre com seu caderno à mesa onde anotava tudo o que estava sendo tratado, pra dar os devidos encaminhamentos.
     
    Dr. Hildo participou da ascensão de Petrolina a centro produtor de fruticultura irrigada, que lhe valeu o título, dentre outros, de Califórnia brasileira. Foi praticamente convocado para assumir a recém criada Superintendência da Codevasf no Piauí. Iria recomeçar do zero. Não desertou do seu dever, e se dedicou à sua nova missão com zelo e afinco até falecer precocemente em Teresina, em janeiro de 2008, aos 55 anos de idade.
     
    Como legado para nós piauienses, além da força de seu exemplo, deixou um sem número de obras estruturantes que contemplam sobretudo o homem simples do sertão. Para São João, a perspectiva de desenvolvimento através de um projeto de fruticultura que além de sonhar, ousou realizar.

    Postado em 03/12/09, 20:34 | (1) Comentário(s)

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  • Flaviano Moura | 22/12/09, 9h42

    Gostaria de parabenizar o site e o redator que escreveu este editorial. Somente alguém que o conheceu ou que participou ativamente do seu trabalho para captar tão bem a essência e a determinação desta pessoa que certamente entrou para a história do município de São João. Participei, a convite dele, juntamente com meu pai e com a dona Ivone Amorim de uma pequena reunião, com pouco menos de dez pessoas, realizada à sombra de um cajueiro que fica ao lado do poço do Capim Grosso. Foi uma verdadeira aula de coragem e crença numa terra que até então somente era conhecida como potencialidade, parecia que acreditava mais nos agricultores do que eles em si mesmos. Pois bem, lá ficou decido quem aceitou o desafio de trabalhar com a uva, uma cultura alienígena em nossa região, acostumada com o milho e com feijão. Depois disso foi muito gratificante participar da primeira colheita comandada ainda por ele com a presença do governador e muitas outras autoridades. Recordo-me que naquele dia terminada a festa no Assentamento Marrecas, quando retornamos a São João, as pessoas que não tinham participado ainda não acreditavam que aqueles frutos eram produzidos em solo sanjoanense. Concluindo, Dr. Ildo teve a ousadia de transformar POTENCIALIDADE, palavra que para a Física significa energia armazenada e ainda sem uso ou para nós sem gerar prosperidade e desenvolvimento, em REALIDADE.

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