O repasse do Tesouro Nacional ao Fundo de Participação dos Municípios (FPM) sofreu uma queda de 14,1% em janeiro e decepcionou prefeitos, que esperavam uma melhora na arrecadação. O Tesouro explicou que a maior parte da redução ocorreu devido ao pagamento, em dezembro, de R$ 2 bilhões de restituições do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). Porém, a expectativa do Tesouro é de que os repasses cresçam neste mês.
O recuo também indica que a arrecadação do governo ainda mostra uma reação relativamente lenta à retomada da atividade econômica. Além disso, sugere que a arrecadação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) deve sentir o impacto, nos primeiros meses, do balanço financeiro das empresas que sofreram mais com o impacto da crise econômica. É no início de cada ano que as empresas fazem o ajuste do IRPJ relativo ao exercício anterior.
Segundo o Tesouro, 62% da queda do repasse ao longo do mês de janeiro foi decorrente do pagamento das restituições do IRPF. O Tesouro confirmou, no entanto, que as empresas recolheram menos IR incidente sobre juros do capital próprio, por causa do impacto da crise no balanço das companhias, o que também reduziu o volume a ser transferido aos prefeitos. Mudanças no prazo de recolhimento do Imposto de Renda retido na fonte e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) também teriam, segundo as informações do Tesouro, reduzido o repasse.
A legislação obriga a União a repassar 23,5% da arrecadação do IR e do IPI aos municípios.