São João do Piauí, 07 de fevereiro de 2012
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10/06/2010 - 15h03

Calote do consumidor volta a crescer após sete meses

Segundo a Serasa, a inadimplência em cartões de crédito e financeiras puxou a alta


O consumidor brasileiro, já bastante endividado após meses de crédito fácil e incentivos ao consumo, teve dificuldades em honrar seus compromissos em maio, e o calote nas dívidas teve seu primeiro avanço após sete meses. O Indicador Serasa de Inadimplência, divulgado nesta quinta-feira, ficou em 1,9% no mês passado, na comparação com o mesmo mês de 2009.
 
Trata-se do primeiro avanço no indicador após as quedas vistas desde outubro do ano passado. Na comparação com abril deste ano, no entanto, a inadimplência do consumidor também cresceu, apontando alta de 4,3%.
 
Segundo a Serasa, o resultado reflete o crescimento acelerado do endividamento dos consumidores ao longo dos últimos trimestres.
 
Nesta quarta-feira (10) o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central (BC) aumentou o juro básico da economia, a taxa Selic, de 9,50% para 10,25% ao ano. Com juros mais altos, a tendência é que as pessoas passem a comprar menos e contrair menos empréstimos, o que inibe um vilão antigo da economia, a inflação.
 
Se os preços estão subindo e há o risco de saírem do controle, o órgão eleva o juro. Já quando a ideia é aquecer a economia, o BC baixa a Selic. A lógica é simples: se as pessoas consomem menos, a tendência é que os preços parem de subir ou subam pouco. Como consequência,  os bancos aumentam os juros de empréstimos pessoais, do cheque especial e de outros tipos de financiamento.
 
Quando o órgão reduz a taxa Selic, acontece justamente o contrário. Os bancos se veem estimulados a reduzir as taxas cobradas dos clientes e estimula, assim, a população a consumir mais, ou seja, a gastar mais dinheiro.
 
Otimismo
 
Os economistas da Serasa afirmam que, mesmo com a volta da alta na inadimplência - em decorrência do maior endividamento e das taxas de juros em elevação -, as “boas perspectivas para o crescimento econômico em 2010, e por consequência do mercado de trabalho”, devem impedir um avanço expressivo no segundo semestre.
 
Já no acumulado de janeiro a maio deste ano, a inadimplência do consumidor apontou queda de 3,7% sobre o mesmo período de 2009. Trata-se da maior queda para um acumulado até maio desde o início da série histórica, em 2000.
 
O dado reflete, segundo a Serasa, a base baixa de comparação nos primeiros meses de 2009, quando a economia ainda apresentava efeitos da crise que atingiu a economia global.
 
Categorias
 
O calote nas faturas de cartões de crédito e nas dívidas com financeiras (alta de 8,1%) e com bancos (crescimento de 2,5%) foram as que mais contribuíram para o avanço na inadimplência no mês passado sobre maio.
 
De janeiro a maio de 2010, em comparação com o mesmo período do ano anterior, o valor médio das dívidas com cheques sem fundos subiu 42,7%. Os títulos protestados e os cartões de crédito e financeiras também tiveram alta, de 8,9% e 5,2%, nessa comparação. A única modalidade de inadimplência que apresentou queda foram a de dívidas com bancos (de -0,1%).

 

Autor/Fonte: R7

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