São João do Piauí, 22 de julho de 2017
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Notícias | Blog

Ela nos ama

Dilma não nos ama, concluiu um deputado petista que se revoltou com a demissão de um piauiense que estava à frente do Banco do Nordeste. O piauiense foi trocado por um cearense em razão de questões políticas.

Dilma, que foi sufragada nesta terra seca por 70% dos eleitores, visitou-nos logo após a vitória e disse, com aquela hipocrisia e cara de nojo típicas, que amava o povo piauiense.

O cordial gesto da governanta mais inepta que já passou pela velha e nova república é justamente cordial, que vem do coração. Isso nos remete à grande obra – "Raízes do Brasil" - de Sérgio Buarque de Holanda.

O homem cordial. Eis a imagem arquetípica plasmada na obra do brilhante pensador. A cordialidade descrita na obra, relembremos, não está afeta ao gestual característico do dia a dia. Não. Está relacionada a nossa facilidade imanente e sórdida de projetar no público a ritualística privada, herança do patrimonialismo português que chegou nas caravelas.

Eis a nossa miséria, eis o nosso destino, que virou um ideal a se realizar.

Quando ela disse que nos amava, ela nos amava, podem acreditar. A visão vetusta e patrimonialista de uma presidente inepta a mais não poder é aquela mesma. Ama seus súditos porque são eles [súditos] que, abraçados insanamente por uma ideia retrógrada, legitimam sua permanência no poder. Como não nos amar?

Um estado, com "e” minúsculo mesmo, que não recebeu sequer um investimento portentoso, durante doze anos de lulopetismo, capaz de mudar um pouco as condições de vida de seus cidadãos, e ainda assim retribui com aquela fartura de votos, tem que ser amado com fervor, sociologicamente falando.

O amor dela por nós é um sentimento abjeto, típico de quem encara o ente público como provedor de tudo e de todos, como um verdadeiro condutor coercitivo do cidadão, acompanhando-o do berço ao túmulo. Um pai provedor de bens e serviços não porque quer emancipar os seus "filhos”, mas porque quer, ao contrário, aprisioná-los e torná-los dependentes eternos, inválidos que não concebem sua trajetória sem o apoio da mão visível do estado.

Estamos fartos de tantos carinhos. Estamos fartos de ideologias que se ancoram na pieguice de sentimentalismos bocós, que são só novos grilhões que nos acorrentam. A presidente-inepta deveria nos odiar.

O ódio, com já disse não sei quem, é mais fiel que o amor. Este pode se perder em outro braços ante um galanteio qualquer. Numa esquina pode ser colhido por uma outra voz que seduz, pelo frescor de uma nova investida. Aquele, o ódio, não. Firme em seus propósitos, não está tão disponível. Aferra-se ao seu objeto sentimental.

Odeie-nos, por favor!

Em 01/06/15, 10:36

O povo que ainda não é povo

Antes de opinar sobre algo - política e costumes, por exemplo - não consulto o "povo". Não me ajoelho no altar dessa abstração para saber o que ela pensa. Não me pauto por essa "entidade" que os esquerdistas usam e abusam para pautar suas pautas..populares.

Se não agisse assim, teria que mergulhar num mar de incoerência das mais diversas. Querem ver? Quando um caminhão tomba pelas estradas da vida, invariavelmente a população parte para cima e promove os saques. De abóbora à cerveja, as cargas vão parar na casa do populacho.

Partindo desses fatos corriqueiros, poderia, então, afirmar que o povo é corrupto e investe na esbórnia e nos saques criminosos? Pois é.

Acredito no indivíduo. Naquele que, diante da turba ensandecida e larápia, por exemplo, mantém-se inerte, reconhece-se na sua individualidade e não avança no que é alheio.

De outra banda, ainda que minha opinião ou postura encontre guarida na reação e na postura do tal povo, não me refestelo nela para reforçar mais ainda minhas convicções.

Digo isso porque a jurássica esquerda toma como sua a pauta popular quando lhe convém. Aliás, corriqueiramente, coloca-se como mandatária do povo, afinal sempre o defendeu porque são contra as elites, o capital e a burguesia, que, segundo ela, não é povo.

Pois bem. Pesquisa do instituto Datafolha revela que 87% são a favor de reduzir a menoridade penal de 18 para 16 anos. Isso mesmo. O povo pensa diferente dos intelectuais de gabinete,  da esquerda festiva que vê no jovem a pureza do bom selvagem de Rousseau, que foi [a pureza] desapropriada pelo capital ou pela direita raivosa.

Confesso que acho um tanto engraçado isso. E trágico, também. E o mais tragicômico é que eles, esquerdista, não aprendem porque fossilizaram o pensamento e são escravos de suas próprias tolices. A realidade já espancou quase todas as tolices influentes que eles engendraram durante séculos. Mas não aprendem. Nem querem.

O sistema deles caiu de podre – o socialismo; o capitalismo, o "demônio" que eles combatem, cada vez gera mais riqueza e prosperidade, a despeito de suas crises cíclicas. O povo, que eles se dizem representantes, está cada vez mais distante das utopias liberticidas que eles pariram. Estão só.

A premissa fundante deles é que esse povo que pensa diferente não é povo, ainda. O povo ideal, o homem "a haver",  é aquele que será amestrado pelo pensamento "progressista". Se ele (povo) quer reduzir a maioridade penal, porque é vítima também, evidente!, ele está equivocado, cabendo os intelectuais progressistas dissuadi-los com seus jargões, com sua enlevada concepção da natureza humana, enfim.

Já consigo visualizar o Lula, deputado Jean Wyllys, a ex-ministra Maria do Rosário et caterva, de mãos dadas com o povo, olhando em seus olhos, palmilhando num vale florido, apontando uma luz que nasce no horizonte, dando conta da chegada de uma nova aurora, de um novo tempo, de uma boa-nova. Assim o povo se (re) encontrará consigo mesmo. Aí a luz virá para não deixar mais o mundo escurecer.


Em 17/05/15, 20:03

Marcos Damasceno e o caminho da imortalidade

Marcos Damasceno é um jovem escritor das bandas de Dom Inocêncio- PI, pequena cidade da região de São Raimundo, terra de uma lenda chamada Padre Lira – padre responsável pela fundação do município e tocador de um projeto educacional revolucionário lá pelos idos dos anos de 1960.

Damasceno driblou a seca e decidiu não abraçar dois destinos comuns por aquelas plagas: virar sanfoneiro e/ou criador de bode. Intuo que, a ele, faltou talento para as duas labutas. Sobrou, no entanto, para cometer textos – e ele o faz em escala industrial: já escreveu vinte e seis livros. 

Da terra coalhada de sanfoneiros e cabras, veio um Damasceno que sonha em fazer parte da Academia Piauiense de Letras. Quer ser imortal. Juntar-se aos poucos que ostentam esse atributo que remonta aos deuses do Olimpo.

Na mitológica Grécia, a imortalidade era característica dos deuses. A confusão era muita. Guerras de estremecer, traições, cupidez e destruição. Os deuses viviam em conflito. O Ocidente, produto dessas refregas colossais, foi "fundado" sob o pálio desses embates homéricos.

O caminho que Damasceno tem a percorrer não é menos belicoso. Precisa vencer uma eleição em que os eleitores já são imortais e costumam ser, digamos, conservadores na hora de escolher seus pares.

Assim, o jovem escritor tem que superar alguns protocolos "seculares". Se superar e for sufragado, receberá o galardão e passará a frequentar, aos sábados, o berço dos imortais. 

Sem uma idade provecta, um dos primeiros atributos para fazer parte do hermético clube, sem um sobrenome mais pomposo para abrir algumas portas cerradas para os destituídos de pedigree, resta-lhe ao inocentino a persistência e a crença imorredoura (e vã) de que o julgamento será entranhado de justeza, como deve ser qualquer julgamento vertido por notáveis.

Ao me relatar sua luta, lembrei-me de uma eleição para a academia alagoana de letras. O ex-presidente Collor "disputou" e venceu. Um dos derrotados, autor de várias obras, redarguiu: "é um absurdo. Ele não escreveu um único livro". Um amigo do inconformado, que ouviu o queixume, disparou: "menos mal, o vencedor poderia ter escrito um. Aí seria um estrago danado".

Em seu livro mais famoso – "A Guerra do Pau-de-Colher"-, Damasceno contou a história de uma guerra suja travada pelas tropas varguistas contra os sertanejos de sua região. Denunciou um dos maiores massacres comandados por um governo do século XX, se não o maior, em terras tupiniquins.

Forjado pelo seu relato mais importante, Damasceno parte para sua batalha particular. Naquela obra, ouviu os sertanejos sobreviventes, debruçou-se sobre os vestígios da refrega e mergulhou no passado para nos contar a versão dos vencidos. 

Em 12/05/15, 23:10

Voto distrital: ótima ideia!

Muitas vozes se insurgiram - principalmente a dos atuais vereadores eleitos - bom sinal, então - contra a aprovação, no Senado, do projeto que prevê, nas próximas eleições municipais, a implantação do voto distrital para vereador nos municípios que tenham mais de duzentos mil habitantes.

Uma das alegações é que a eleição de um parlamentar pelo formato distrital compromete a representatividade, tornando-o um mero representante setorizado da sociedade. Sem sentido o argumento.  A ser assim, se um vereador for eleito hoje, o que é comum, com votos de um só bairro ou região, estaria então comprometida a sua atuação? Ele seria um representante menos legítimo?

Ou: o vereador que teve uma votação fragmentada estaria mais apto a ser representante do povo, pois a votação pulverizada obtida por ele o alça à condição de um representante, mais, encorpado? Paciência.

O argumento dos que se opõem se esboroa antes mesmo de ficar em pé por um simples motivo: o vereador continua sendo representante do todo, afinal as funções precípuas dele, quais sejam, legislar e fiscalizar, são feitas para todo o município, não podendo ser cindidas. Não precisa reforçar, portanto, que não é possível fiscalizar e legislar "distritalmente".

Ah, alegam alguns, a divisão do distrito pode beneficiar alguns. Pode. E a não-divisão não privilegia os que têm mais estrutura financeira? Não deixa na poeira os que precisam percorrer todo o município para angariar votos? De um jeito ou de outro, o todo ou a fragmentação desse todo, acaba por privilegiar alguém, porque são diferentes as condições estruturais de cada um.

Reforço o que já venho escrevendo de há muito: não há como fazer uma reforma efetiva se esta reforma não buscar a aproximação entre eleitor e eleito. Qualquer mudança que passe ao largo disso tende a chover no molhado e aprofundar os defeitos, que já são muitos.

E há, com o voto distrital, algo mais precioso ainda, mas que muitos não se atentam porque preferem tangenciar, quando se fala em reformar o sistema político, por lateralidades inócuas – perdão pelo truísmo.

Vejam só. Há, após anos de doutrinação ideológica, uma cultura da irresponsabilidade pessoal. Percebam que ninguém quer suportar as escolhas que fazem. E é na política que isso se assenta com mais nitidez. Por isso tanto faz saber em quem se votou para o legislativo. O voto de cada um se dilui nos milhares ou milhões de votos recebidos pelos tiriricas da vida. Ou até mesmo nas centenas de votos obtidos pelo vereador de uma cidade pequena.

Com o voto distrital, a coisa começa tomar outro rumo. Com uma área menor, um único voto ganha robustez, dando ao eleitor uma importância maior e, com ela, responsabilidades idem.

Num país onde o peso das escolhas foi sequestrado e a cultura do vitimismo vitaminou-se, o voto distrital, por via reflexa, ajuda a reverter isso, colocando o indivíduo frente a frente com suas escolhas e as consequências advindas delas, que serão sentidas bem de perto.

Como diz aquela lição oferecida pelo avô ao seu neto, Peter Parker, que se tornaria o Homem-Aranha: "grandes poderes trazem grandes responsabilidades".

Em 04/05/15, 13:04

Terceirização: a (i) lógica dos progressistas

Eu era um garoto, mas a memória não me trai. Tempos atrás, as greves, promovidas por sindicatos, pululavam em torno de uma onda de modernização dos bancos. Caixas eletrônicos, computadores, passariam a fazer parte da rotina das instituições financeiras.

A ameaça estava posta. O vaticínio era apocalíptico: o fim da carreira dos bancários. Todos seriam expulsos, como ratazanas, de suas funções, afinal as máquinas impessoais, frias, tomariam às rédeas, e os bancários passariam a esmolar nas esquinas, nas ruas. Morariam, doravante, numa casinha de sapé. Era o fim.

Para piorar, os "americânu", que haviam encarnado o grande Satã, enfiavam, goela abaixo, o tal "Consenso de Washington" aos países, impondo medidas liberais, ou libertinas, na linguagem da esquerda festiva.

Era mais uma tentativa dos ianques para se enriquecer e empobrecer a América Latina e cia. Afinal, os capitalistas são assim, não é verdade?: querem ficar ricos às custas da pobreza dos outros.

Além disso, vejam que coisa!, uma tal ALCA, aliança comercial comandada pelos estadunidenses (argh!), prometia espraiar a pobreza generalizada para os que se irmanassem insanamente aos ditames dessa aliança que só queria destruir a periferia para que o "Centro" pudesse se refestelar em seus costumes nababescos. O México entrou – manteve um acordo de livre comércio- NAFTA- com os EUA e Canadá. Em 2015, o PIB mexicano deve crescer 3,7%. O do Brasil, que está no Mercosul, vai crescer como rabo de cavalo – para baixo.

Pois é. Os bancários não pararam embaixo das pontes e dos viadutos – com todos os problemas, ainda é uma categoria forte; os países que aderiram ao tal "Consenso" têm uma vida econômica, social e fiscal muito melhor dos que preferiram rejeitá-lo.

Os fatos são teimosos. Quando ouço o alarido, a cantilena dos resistentes à regulamentação da terceirização - e eles são praticamente os mesmos de antanho -, faço todo esse processo regressivo, remetendo-me àqueles tempos idos de algazarra ideológica, que ainda hoje dita a pauta do progressismo.

Comparo os países -Estados Unidos, Canadá, Austrália, Cingapura, Hong Kong (China), Maldivas, Ilhas Marshall - que se valem de regras em que a terceirização não é só permitida, como incentivada, com os países - Bolívia, Venezuela, Guiné Equatorial, São Tomé e Príncipe, Tanzânia, Congo e República Centro Africana - em que ela é desestimulada ou proibida, e fico a pensar.

O que parece é que os fatos, os terríveis fatos, ainda ostentam aquela característica imanente deles: a teimosia. Até porque, convenhamos, se, realmente, a terceirização precariza as relações trabalhistas, por que mais de 12 (doze milhões) de trabalhadores, que trabalham, hoje, num regime de terceirização podem sofrer os reveses da precarização?

Perceberam? Os refratários  à ideia convivem bem com a precarização das condições de trabalho de milhões de trabalhadores da atividade-meio das empresas. Estes podem ser submetidos. Os da atividade-fim, não. Deve haver uma lógica nisso tudo. Falta-me sensibilidade para captar.

Em 28/04/15, 11:07


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