Sabe qual a diferença entre o time do Flamengo, que venceu o Mundial Interclubes de 1981 e o Barcelona que derrotou o Santos na final do torneio da FIFA, no último dia 18, no Japão?
Zico sabe: "A diferença é que nós jogávamos no campo do América, na rua Bariri e em cada lugar onde nem grama tinha. Nós treinamos durante cinco meses no campo 2 de treino da Gávea, que era de soçaite e era um terrão. Aliás, até o gramado do jogo contra o Liverpool era muito pior do que este do estádio em Yokohama".
O atual treinador da seleção do Iraque está em São Paulo. Zico colocou em campo o Jogo das Estrelas, partida beneficente que organiza há oito anos no Rio de Janeiro. Desta vez, a partida foi no estádio do Morumbi, às 20h00, com presença de vários jogadores aposentados e em atividade.
O dinheiro arrecadado com a venda dos ingressos será destinado a entidades de caridade e ONGs que trabalham com esporte e cidadania.
Zico criticou a estratégia adotada pelo técnico Muricy Ramalho durante o segundo semestre do ano. Lembrando que não sabe exatamente tudo o que se passou no Santos, ele acha que "faltou jogo ao Santos".
"Acho que o time poderia ter jogado mais junto. O Santos perdeu um pouco do conjunto porque deu descanso a alguns titulares. Com o plantel que tem, se tivesse atuado mais, não desistindo do Campeonato Brasileiro, a equipe poderia ter tido um rendimento melhor", avaliou Zico.
Na verdade, Muricy Ramalho até que gostaria de seguir o que Zico falou. Mas as convocações de jogadores santistas para as seleções do Brasil, além de algumas contusões, o impediram de manter a base titular em ritmo de competição.
Mesmo assim, Zico admite que o Barcelona "é um dos melhores times" que viu jogar. Ele cita o selecionado brasileiro tricampeão mundial no México, o Ajax da Holanda da primeira metade dos anos 70 e o Botafogo (RJ) da mesma época ("liderado pelo Paulo César Caju"), que tinham jeito de jogar parecido com o do Barcelona, com tanto ou mais qualidade em campo.
Nesta lista, no entanto, Zico deixou o Flamengo separado. "Tivemos duas formações nos anos 80, uma com um atacante mais à frente e outra sem esta figura, que também jogava com a posse de bola, com a troca de passes e com eficiência".
Em 1981, com o artilheiro Nunes na frente, o time carioca conquistou o Mundial de Clubes (chamado, naquela época, de Copa Toyota) ao derrotar o Liverpool por 3 a 0, no dia 13 de dezembro em Tóquio.