No fim de julho, durante evento em Curitiba, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva expôs seu rancor com o Senado. Em comício ao lado de sua candidata à Presidência, Dilma Rousseff (PT), Lula disse que pediria “a Deus para que essa companheira não tenha o Senado” que ele teve, caso Dilma seja eleita.
O comentário de Lula era um desabafo contra a Casa na qual enfrentou algumas de suas maiores batalhas e também sua maior derrota política, o fim da CPMF, extinta no fim de 2007.
Com a disputa presidencial em um momento favorável – no qual Dilma amplia sua vantagem sobre José Serra (PSDB) sistematicamente – Lula voltou suas forças para a campanha ao Senado. Um levantamento feito por ÉPOCA mostra que, se eleita, são grandes as chances de Dilma ter uma maioria entre os senadores que o atual presidente nunca teve. Dependendo do resultado, Dilma poderia até mesmo aprovar emendas constitucionais sem precisar negociar com a oposição.
Das 81 vagas no Senado, 27 não estão em jogo. Dessas cadeiras, 12 permanecerão com a base governista de Lula e 14 são da oposição, enquanto apenas um, Pedro Simon (PMDB-RS), se declara independente e votou contra e a favor do governo na atual legislatura.
Alguns desses senadores estão disputando o governo de seus Estados e podem deixar os cargos. Em geral, serão substituídos por suplentes com a mesma inclinação política, mas na vaga do Rio Grande do Norte a oposição deve perder um voto.
A senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN) pode ser eleita governadora no primeiro turno e, se deixar o Senado, dará lugar a Garibaldi Alves (PMDB), pai do senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), aliado de Lula no Congresso. Assim, cada lado ficaria com 13 vagas. Nas 54 disputas que preencherão o resto do Senado (duas em cada Estado) a disputa é muito favorável ao governo.