São João do Piauí, 07 de fevereiro de 2012
Anuncie aqui!

04/03/2010 - 00h52

Sem cuidados adequados, caatinga pode virar deserto


A profecia de Antônio Conselheiro de que o sertão vai virar mar provavelmente não será concretizada. Com o ritmo de desmatamento da caatinga, é mais provável que o sertão vire deserto, se medidas preventivas não forem tomadas urgentemente para preservar o bioma que já teve 45% da sua área desmatada. A devastação pode diminuir as chuvas e forçar o êxodo da população do interior para as grandes cidades gerado um processo de favelização nas mesmas. A previsão é da organização não-governamental Greenpeace.
 
– Pela sua vegetação árida, a caatinga pode sofrer mudanças drásticas com a elevação da temperatura. A água pode ficar ainda mais escassa. E, ao mesmo tempo, a instabilidade do clima na região pode fazer que com tenha enchentes em alguns momentos do ano – afirma o coordenador da Campanha do Clima do Greenpeace, João Talocchi.
 
Segundo o coordenador, um estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mostra que no mellhor cenário, o milho perderá 15% de sua área de produção no Brasil, o que corresponde a um prejuízo anual de R$ 1,5 bilhão. E o milho é um produto muito produzido na caatinga, ainda segundo o coordenador.
 
Talocchi destaca que além das indústrias gesseira e de cerêmica, o consumo de lenha e carvão para a subsistência tem prejudicado o bioma. A solução, aponta ele, é levar energia elétrica para a população mais carente que usa lenhas para cozinha, por exemplo e investir em políticas de energia eólica e solar nas pequenas comunidades.
 
Para o coordenador, o monitoramento do bioma é fundamental para sua conservação, mas só trará resultados se o governo levar técnicas de cultivo auto-sustentável para a região e obriga as indústrias a plantarem as árvores serão transformadas em carvão, a fonte de energia.
 
Talocchi destaca ainda o fato da caatinga, ao contrário da Amazônia, não estar no foco da pressão internacional fez com ela ficasse esquecida por muito tempo:
 
– Falar da preservação da caatinga ainda não comove.
 
Entre 2002 e 2008, a caatinga, único bioma 100% brasileiro, perdeu 16.500 km² de sua cobertura original. A taxa anual média de desmatamento entre 2002 e 2008 foi de 2.763 km ². A caatinga já teve 45% de sua área desmatada. Se o desmatamento continuar no ritmo em que está, um terço da atividade econômica do Nordeste vai desaparecer até o final deste século. A vulnerabilidade social das pessoas que vivem na região torna o dado ainda mais preocupante.
 
A principal causa da destruição da caatinga é a extração da mata nativa que é transformada em lenha e carvão para as indústrias siderúrgicas do Espirito Santo e Minas Gerais. O uso dessa matéria prima como fonte de energia em pequenas indústrias e residências no Nordeste, assim como a pecuária bovina, tem contribuído para a devastação.
 
– Proporcionalmente, o desmatamento da caatinga tem sido semelhante ao da Amazônia – afirmou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que lançou terça-feira, em Brasília, o monitoramento da caatinga. Até o momento, apenas a Amazônia era monitorada. O objetivo do ministério é ter os seis biomas brasileiros – caatinga, amazônico, cerrado, pantanal, pampa e mata atlântica – sob monitoramento até o final do ano.
 
Segundo Minc, para burlar a fiscalização, os transportadores ocupam um terço do caminhão, a parte de cima, com carvão de manejo e os dois terços inferiores com carvão feito de mata nativa, o que é ilegal.
 
– No dia que esta criatividade for usada para coisas boas, teremos um país bem melhor – ponderou o ministro.
 
O ministro destacou que é preciso pensar em alternativas energéticas para que a caatinga possa ser poupada. O grande potencial de energia eólica e solar do Nordeste, por exemplo, ainda tem sido desprezado.
 
Desmatadores
 
A Bahia e o Ceará foram os estados que mais desmataram a caatinga até agora. Enquanto a Bahia já desmatou 154 mil km² dos 300 mil km² que tinha de caatinga, o segundo já devastou 58 mil km² dos seus 147 mil km² originais. Alagoas aparece no oitavo lugar da lista de estados que mais desmataram o bioma. Mas a situação é grave porque Alagoas já perdeu quase 11 mil km² dos poucos 13 mil km² que tinha originalmente.
 
O Instituto Brasileiro dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) começará na próxima semana uma série de 25 operações de fiscalização na caatinga. A ideia é autuar de quem extrai de forma incorreta a madeira até o receptor. As ações de combate à pratica ilegal na região, no entanto, são dificultadas pela pulverização do desmatamento.
 
Começará quarta-feira em Petrolina (BA) e Juazeiro (BA) uma reunião para tratar do Plano de Combate à Desertificação no Nordeste com a participação de todos os governadores e secretários de Meio Ambiente da região.
 
Segundo Minc, também existe a intenção de destinar metade do Fundo de Mudanças Climáticas para a recuperação da caatinga. Já o Banco do Nordeste estuda a criação do Fundo Caatinga.

Autor/Fonte: JB Online

| Mais


  • FALE CONOSCO
  • Pé de Figueira
    Rua Sabino Paulo, 696 - Centro
    São João do Piauí
    Cep: 64760-000
    Tele/Fax: (89) 3483-1607
    Email: redacao@pedefigueira.com.br
Site by Masavio