São João do Piauí, 07 de fevereiro de 2012
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12/02/2010 - 02h19

EUA preparam retaliação ao Brasil por apoio ao Irã

Lobby pró-Israel abandona defesa do etanol brasileiro e alerta que apoio do País ao Irã terá 'consequências'


O apoio do Brasil ao Irã ameaça atrapalhar os interesses econômicos brasileiros nos EUA. O lobby pró-Israel no Congresso americano deixou de apoiar a abertura do mercado americano ao etanol brasileiro. "Estávamos nos esforçando para eliminar a tarifa sobre o etanol brasileiro, mas diante da aproximação do governo Lula com Ahmadinejad, paramos", disse ao Estado Jack Halpern, um dos diretores do Congresso Americano Judaico.
 
"Não podemos recompensar o Brasil com o vasto mercado americano enquanto seu governo apoia um regime ditatorial, que nega o Holocausto e está enriquecendo urânio", disse Halpern. O Congresso Americano Judaico e outros grupos de pressão judaicos gastam milhões de dólares por ano em lobbies e pesquisas para combustíveis renováveis.
 
O objetivo é reduzir a dependência dos EUA do petróleo do Oriente Médio e deixar de enriquecer os países da região, que se opõem a Israel. A entidade de Halpern, por exemplo, faz lobby para que os EUA passem a exigir carros flex.
 
Segundo fontes do Congresso, a relutância do governo brasileiro em endossar novas sanções ao Irã no Conselho de Segurança da ONU foi a gota d"água. Essas organizações tinham se alinhado com o Brasil no lobby para derrubar a tarifa sobre o etanol, mas deixaram tudo em suspenso. "O Brasil precisa entender que o apoio ao Irã traz consequências", diz Halpern.
 
ERRO
 
O lobby pró-Israel americano foi um dos maiores doadores da campanha eleitoral do presidente Barack Obama, em 2008. "Outros interesses do Brasil também podem ser afetados", diz Bernard Aronson, ex-secretário adjunto de Estado para assuntos interamericanos.
 
"Foi um enorme erro estratégico, o Brasil está jogando fora toda a boa vontade que havia com o País", disse Aronson. "O Congresso segue a questão do Irã e da aproximação com o Brasil muito de perto. Isso está prejudicando muito a imagem do Brasil aqui."
 
Segundo Aronson, o Brasil poderia ter seus interesses afetados. No ano passado, por exemplo, o senador Frank Lautenberg bloqueou a permanência do Brasil no Sistema Geral de Preferências, que concede vantagens tarifárias, por causa do caso do garoto Sean Goldman. "Esse é um exemplo de consequência."
 
Outro que já manifestou repetidas vezes sua insatisfação com a posição brasileira é o deputado democrata Eliot Engel, presidente do subcomitê do Hemisfério Ocidental da Câmara. O Comitê de Relações Públicas Americano-Israelense (Aipac, na sigla em inglês) e outras organizações judaicas gastaram, no ano passado, US$ 4 milhões com lobby para leis como a de sanções contra empresas que vendem petróleo refinado para o Irã, que acaba de ser aprovada no Senado.
 
PUNIÇÃO
 
A lei, de autoria do senador democrata Chris Dodd, impõe sanções a empresas que fornecem petróleo refinado ao Irã e companhias americanas ou subsidiárias estrangeiras que estejam fazendo negócios com o setor energético iraniano.
 
ADVERTÊNCIA
 
Jack Halpern Diretor do Congresso Americano Judaico:
 
"Não podemos recompensar o Brasil com o vasto mercado americano enquanto seu governo apoia um regime ditatorial, que nega o Holocausto e está enriquecendo urânio. O Brasil precisa entender que o apoio ao Irã traz consequências"

Autor/Fonte: Estadão

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