O projeto de lei que pode tornar a Argentina o primeiro país da América Latina a adotar o casamento gay colocou de lados opostos a Igreja Católica e o governo Cristina Kirchner. O cardeal de Buenos Aires disse que é uma “guerra contra Deus” e um padre a favor da lei chegou a ser suspenso.
O projeto de lei, que tem o apoio do governo Kirchner, já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e será votado nesta quarta-feira (14) no Senado, onde a resistência é maior. O tema deixou ainda mais tensa a relação da Igreja Católica com o governo. O cardeal de Buenos Aires, Jorge Bergoglio, disse que o projeto é “um movimento do diabo” e representa uma “guerra contra Deus”.
O cardeal já havia cutucado o governo no último dia 9 de julho, durante missa especial no dia da independência da Argentina.
Padre é suspenso
A favor do projeto, o padre José Nicolás Alessio, foi suspenso de suas atividades pela Arquidiocese de Córdoba.
Em declarações ao jornal Perfil, ele chamou o arcebispo que o suspendeu de “fascista, retrógrado e incapaz de entender a diversidade”.
- Esta igreja está mais preocupada com quem está na cama dos argentinos do que com o que falta na mesa dos pobres.
Às vésperas da votação, o Congresso Nacional em Buenos Aires concentra movimentos contrários e a favor do projeto de lei.
País teve primeiro casamento gay da América Latina
A Argentina já é o primeiro país da América Latina a celebrar um casamento gay. No dia 28 de dezembro do ano passado, o casal Alex Freyre e José María Di Bello conseguiu uma liminar na Justiça e se casaram na Província da Terra do Fogo.
A Cidade Autônoma de Buenos Aires também saiu na dianteira. As uniões civis entre pessoas de mesmo sexo, que não tem status de casamento, são permitidas aos portenhos desde 2002.