O jornalista Edmundo Moreira foi preso na noite desta quarta-feira, durante uma sessão na Câmara Municipal de Timon, na divisa entre Maranhão e Piauí, que votava projeto da prefeita Socorro Waquim (PMDB) para a regularização do plano de carreira dos agentes comunitários de saúde. A prefeitura enviou mais de 40 homens da Guarda Municipal para impedir uma manifestação promovida pelo Sindicato dos Agentes Comunitários de Saúde, contrário a aprovação do projeto.
Moreira recebeu voz de prisão dentro da sede do legislativo e foi encaminhado algemado para a Central de Flagrantes de Timon.
- Estava em votação um projeto para tornar efetivos os agentes de saúde do município, quando o presidente da casa, o vereador Antônio Borges Pimentel, ordenou que um grupo que manifestava pela aprovação da Lei se retirasse do plenário, junto com os jornalistas e radialistas que acompanhavam a sessão - explica.
Nesse momento, Edmundo - que trabalhava na cobertura da sessão - se dirigiu ao presidente contestando a ordem e lembrando do direito da população e da imprensa de acompanhar a votação. Além da imprensa, de acordo com o jornalista, agentes de saúde e pessoas idosas foram postas pra fora com violência.
- Com muita truculência, os policias militares colocaram todo mundo pra fora. Me algemaram e levaram para a delegacia, onde acabei autuado por desacato - completa.
Edmundo Moreira reclama da atitude do vereador.
- Eu só falei que ele não podia fazer isso. Ele mandou eu me calar dizendo que eu não estava em casa. Respondi que estava em casa sim, pois a Câmara Municipal é a casa do povo.
O Sindicato dos Jornalistas do Estado do Piauí repudiou o fato e alertou a Federação Nacional dos Jornalistas sobre a prisão de Edmundo.
- Hoje em dia, os poderes públicos estão cada vez mais abertos à imprensa. Neste caso foi o contrário, um retrocesso aos tempos da ditadura - disse Luis Carlos, presidente do Sindjor.