Natural que o deputado Nazareno Fonteles (PT-PI) exteriorize posições partidárias divergentes ao apoio à candidatura a governador do Piauí de alguém que não seja do PT. O pomo de discórdia se chama João Vicente Claudino (PTB-PI), empresário e senador eleito em 2006 com o apoio de Nazareno Fonteles.
Observa João Vicente Claudino: "É natural a crítica. Mas o PT avançou muito nas questões ideológicas desde sua fundação, há 30 anos. Não é mais compreensível que um membro do partido não concorde com a candidatura majoritária de uma pessoa simplesmente porque ela é um empresário. Não é esse o posicionamento do presidente Lula. O PT é um partido que superou essa questão de proletariado versus burguesia. Aqui no Senado Federal, convivo com figuras magníficas do PT e nunca vi nenhuma manifestar preconceito contra empresário. Inclusive, o PT ajudou a eleger em 2008 o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, de outro partido, o PSB, e empresário."
O senador diz que está "tranquilo e calmo" e até trocaria ideias políticas, ideológicas e de gestão pública com Nazareno Fonteles. Embora considere "natural" a reação do petista contra sua candidatura a governador com o apoio do PT, João Vicente recorda: "Em 2006, viajamos eu e Nazareno algumas vezes sozinhos, de avião. Ele sempre foi cordial comigo. Eu acompanhei ele a municípios em que havia grupos diferentes do PT, que ele não podia ir com o Antonio José Medeiros, por exemplo, também candidato a deputado federal. Fomos, me lembro agora, a Esperantina e Pedro II."
Mas, e se Nazareno Fonteles conseguir que o PT não aprove a aliança, como ficará a base? "Acho que o diretório do PT nos apoiará. Tudo farei para que a base não rache." E se rachar, João Vicente Claudino será candidato da oposição? "Depende de quem esteja no governo. Só podemos fazer uma avaliação sobre isso após passar o período de desincompatibilização, dia 3 de abril. O governador Wellington Dias ficará ou será candidato a senador? Wilson Martins assumirá o governo e será candidato à reeleição ou vai nos apoiar? Essa questão não pode ser respondida agora. O que eu respondo é que quero a base unida, inclusive com o PT."
O PT seria maior do que Nazareno Fonteles? "Não. De forma alguma. Ele é um membro importante do partido. Ninguém é maior do que ninguém em um partido, tenha mandato ou não. O que é necessário é que haja convergência para as decisões aprovadas pela maioria. É isso que eu espero." Não estaria em discussão as divergências entre o capital e o trabalho? "Isso está superado. A discussão entre proletariado e burguesia é arcaica. O mundo superou a divisão capitalistas x trabalhadores. E reconhece que o mais importante de todos é o trabalho."