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12/11/2010 - 04h56

Sintomas do hipotireoidismo podem ser confundidos com depressão

 


Cansaço, desânimo, sonolência, falta de interesse em relacionamentos pessoais e apatia geral. Quando se listam os sintomas, é fácil concordar que são sinais de depressão. Mas o que poucas pessoas sabem é que estes sintomas podem ser também associados ao hipotireoidismo, doença que ocorre quando há uma queda na produção dos hormônios T3 e T4 – hormônios essenciais para o funcionamento do sistema nervoso central e ativação do metabolismo do corpo – que leva a uma diminuição geral da atividade do organismo. 

Um dos maiores estudos realizados no Brasil pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro, publicado em 2007, na revista Clinical Endocrinology, concluiu que 12,3% das mulheres brasileiras acima de 35 anos apresentam hipotireoidismo. Muitas vezes, as pessoas com hipotireoidismo começam a ser tratadas para depressão e não fazem exames para checar o funcionamento da glândula da tireoide. Nem sempre é fácil associar a depressão ao hipotireoidismo e, às vezes, a sensação de desânimo é somente atribuída ao estresse ou ao envelhecimento.

Segundo a médica Gisah Amaral de Carvalho, professora da Universidade Federal do Paraná e Presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia - Paraná (SBEM –PR), metade das pacientes com hipotireoidismo apresentam sintomas depressivos e até mesmo depressão e um terço das pacientes com depressão têm hipotireoidismo. “Os hormônios tireoidianos agem nos sistemas noradrenérgico e serotoninérgico que são importantes para o humor e, assim como em várias áreas do cérebro sendo importante para memória, raciocínio, libido, sono-vigília entre outros” diz a médica.  “Portanto pacientes com hipotireoidismo devem ser avaliados quanto à alteração de humor e pacientes com depressão devem ter a função tireoidiana avaliada, pois muitas vezes a depressão é consequência do hipotireoidismo e tratando o hipotireoidismo pode resolver a depressão ou melhorar a resposta da mesma ao antidepressivo”, completa. 

A Dra. Gisah, realizou em parceria com o professor Saint-Clair Bahls, do Departamento de Psicologia Universidade Federal do Paraná, o estudo A relação entre a função tireoidiana e a depressão: uma revisão. De acordo com os dados levantados pelos especialistas em 2004, a prevalência de sintomas depressivos no hipotireoidismo é de aproximadamente 50% e, no hipertireoidismo, chega a 28% dos casos. A depressão clínica ocorre em mais de 40% das pessoas portadoras de hipotireoidismo. Outro estudo, da Universidade da Carolina do Norte, realizado em 1999, constatou que, entre as mulheres com ligeira diminuição da função da tireoide, a taxa daquelas que sofreram depressão, pelo menos uma vez, foi cerca de três vezes maior (56% versus 20%) do que entre aquelas com função tireoidiana normal.

Como as duas doenças podem ser controladas, permitindo uma melhor qualidade de vida ao paciente, é fundamental que os médicos peçam a avaliação com dosagem de TSH, que inclusive deve ser feita de forma rotineira após os 40 anos de idade e no início da gestação. Trata-se de um simples exame de sangue e, conhecendo os níveis de TSH no sangue e o histórico do paciente, o médico poderá intervir precocemente, impedindo a progressão da disfunção tireoidiana e revertendo o quadro clínico e laboratorial. 

Sobre a campanha Mulher Sem Falta

A Campanha Mulher Sem Falta foi criada pela Sanofi-Aventis com o objetivo de alertar sobre os sintomas do hipotireoidismo e ressaltar a importância do diagnóstico precoce. O foco da campanha são as mulheres acima dos 30 anos, faixa da população em que a prevalência do hipotireoidismo é maior. No site especialmente criado para a campanha - www.mulhersemfalta.com.br - a população terá acesso a mais informações sobre hipotireoidismo, fatores de risco, causas, alerta sobre exames e autoexame e poderá, ainda, tirar dúvidas com especialistas no assunto. 

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